quinta-feira, 2 de abril de 2009

Ajudar divulgando !! As tartarugas e o Planeta agradeçem.

Fica aqui o link para ajudar na divulgação de um projecto muito interessante, tanto nos objectivos como na forma como pretende ser implementado.



Tartarugas em S.Tomé e Principe - Património Natural da Humanidade


Da minha parte, estou com ideias de ir vasculhar no fundo da arrecadação e ver se encontro algum equipamento antigo ou que já não preciso e contribuir enviando também para S.Tomé e Principe.

Vou acompanhar o desenrolar deste projecto com muito interesse.
Sinceramente, gostaria que os resultados fossem muito positivos.
Além da preservação ambiental e do salvamento da extinção das tartarugas locais será também interesante verificar que ainda, em alguns locais reconditos deste Planeta, a "Palavra de Honra" dada por quem mais nada têm é tão forte ou mais que todo o dinheiro do mundo.

Votos de sucesso !

P.S. - Infelizmente não tenho nenhuma foto para ilustrar...ainda me falta esse "cromo" na caderneta. Pela velocidade a que o Homem tem levado estes lindos animais á extinção, vamos ver se não fico com a caderneta para sempre em branco...

quarta-feira, 25 de março de 2009

Mais fotos de Patas-Roxas...

Desta vez dos amigos e companheiros de mergulho, João Toco e José Ladeira.





domingo, 22 de março de 2009

Cascais. Finalmente as Patas-Roxas !!


A manhã acordou enevoada do lado Norte da Serra de Sintra.
O mergulho tinha ficado combinado no final da semana e depois de algumas "negociações" e alternativas optámos por Cascais.
O Francisco da ExtremeDive tinha enviado a newsletter semanal a informar que o spot seria no Emissário da Guia, local onde de alguns meses para cá, tem sido muito frequente avistar cardumes de Corvinas a "meia agua" e as Pata-Roxas no fundo.


Chegámos todos cedo ao Centro de Mergulho e ao contrário do tempo que tinha ao sair de casa, Cascais estava com um sol timido de inicio de Primavera e algum vento, que causava um pouco de agitação no mar.
O grupo composto por seis mergulhadores deixava bastante espaço no barco.
Ás dez horas estava tudo pronto para largar ferro.
A viagem é rápida, o local encontrado com facilidade, bastava equipar e descer.
Na frente do grupo segue a dupla Zé Ladeira e João Toco, seguidos pela outra dupla e por fim a fechar o grupo sigo eu e o Paulo Carmo.
A corrente que á superficie se faz sentir com devido ao vento, vai desaparecendo á medida que descemos.


O fundo está a 27 metros e a visibilidade não sendo espectacular ( entre os 3 a 5 metros ), também não é nada a que já não estejamos habituados.
A estrutura composta pela caixa do emissário tem cerca de 5 metros cubicos, com tubos de grandes dimensões a ramificarem-se em duas direcções a partir da caixa, em forma de Y.
A zona com maior variedade e diversidade de vida encontra-se no espaço compreendido pelos dois braços do Y e junto ao fundo, nos vários enrocamentos feitos para suporte e apoio das flanges das tubagens.
De grandes safios a lavagantes, cardumes de fanecas, navalheiras e santolas, abroteas e moreias encontram nesta estrutura um pouco surreal abrigo e alimento para se fixarem neste espaço.
Seguindo as indicações dadas no brefing, teriamos de ter atenção também á coluna de agua por cima das nossas cabeças na eventualidade de avistar os cardumes de corvinas.
Infelizmente, ninguem do grupo avistou nada.


Já a outra especie que têm sido o ex-libris do local, as Patas-Roxas ( Scyliorhinus canicula ) resolveu mostrar-se, deixar-se fotografar e cativar-nos com a sua graciosidade e beleza.
São extremamente calmos durante o dia, permitindo aproximações sem qualquer problema.
Da familia dos tubarões, alimentam-se de moluscos e crustaceos durante a noite e de forma individual, escolhendo o dia para repousar nos fundos de areia, normalmente em pequenos grupos.
Escolhem a Primavera para acasalamento, sendo a altura do ano em que se podem encontrar machos e femeas no mesmo grupo.
Reproduzem-se por um unico ovo que depositam em aguas calmas e costeiras, servindo os fortes filamentos como ancoras para fixar quer a algas quer a pedras.
Ao fim de nove meses, eclodem completamente formados e independentes os pequenos tubarões com cerca de 10 cm.
Extremamente ageis e flexiveis, possuem também uma defesa natural composta pela existencia na sua pele semelhante a lixa de uns espinhos que os tornam pouco apetitosos para os eventuais predadores.
Atingem a idade adulta ao fim de 3 anos e têm uma longevidade aproximada de 12 anos. O seu comprimento pode atingir 1 metro.
São vitimas, tais como todas as especies, de pesca excessiva que faz diminuir o numero de individuos. Como a sua reprodução é demorada a especie não consegue recuperar levando a que cada vez se avistem menos destes extraordinários animais.
Cabe-nos a nós todos, como amantes do mar e dos seus habitantes, preservar e manter a diversidade da sua vida.


No local onde mergulhei, pelo numero e vezes que são avistados Patas-Roxas pensa-se que sejam residentes, que encontraram ali um local que consideram ideal.
Pelas suas caracteristicas, muitos mergulhadores têm tendencia a interagir com os doceis animais, pegando-lhes, acariciando-os e perturbando o seu repouso. Sei que muitas vezes é quase impossivel resistir a tão belos animais, mas temos que respeitar o seu espaço e fazer todos os esforços para não lhes provocar stress.
Está nas nossas mãos ajudar a manter este local !!

domingo, 15 de março de 2009

Hoje foi dia de mergulho !!!

Sesimbra, "Jardim das Gorgónias"
Mar "chão" e dia de sol radiante.
Centro de Mergulho : Anthia Diving Center
Buddy : João Toco
Temperatura da água : 13º C
Visibilidade : 2 a 3 metros, com muita suspensão em "verde".
Tempo de fundo : 68 minutos
Profundidade máxima : 14 metros

Alguns dos "bonecos" :











segunda-feira, 2 de março de 2009


Foram relembrados este fim de semana em Sesimbra os 20 anos do naufrágio do "River Gurara" no Cabo Espichel.
As iniciativas contaram com uma exposição, visionamento de documentários e uma palestra no Sabado á noite sobre o que se passou naquela fatidica noite de 26 de Fevereiro de 1989.
Como tributo ás vitimas daquela noite, foi colocado no Sabado de manhã uma placa evocativa, no destroço na zona da popa junto á hélice.



No Sabado juntei-me a alguns companheiros de mergulho e participámos nesta excelente inicativa, mergulhando na zona da popa.
Pelos registos do meu logbook deve ter sido o meu vigésimo mergulho no naufrágio.
Não foi o melhor mergulho feito no local. O mar estava calmo e as correntes no fundo só se fizeram sentir na parte final do mergulho, provocado pela mudança de maré.
A visibilidade de 5 metros era prejudicada pela existencia de suspensão, a surgir em maior abundancia nos primeiros metros da coluna de agua.
A vida marinha habitual de polvos, safios, grandes sargos veados, rascassos, brindou os mergulhadores com a sua presença.

Mas estavamos todos ali com outro objectivo…
O lembrar da tragédia, das vitimas e dos herois daquela noite.
Já há muito tempo que conheço a história do River, muito por culpa do mergulho, mas na minha memória não me recordo de nada sobre alguma noticia do dia do seu afundamento.
Ou seja, o conhecimento que tive da história do que sucedeu foi sempre através de documentos mais ou menos impessoais, sem grande carga sentimental.
Talvez por isso resolvi também no final do dia assistir á palestra organizada no Auditório Conde Ferreira e que contou com os principais responsaveis, intervenientes no auxilio das vitimas daquela noite.
O primeiro interveniente foi o Almirante Mota e Silva, comandante da fragata Hermenegildo Capelo, primeiro a chegar ao local e a tentar prestar a melhor ajuda possivel naquelas condições, ainda o barco se encontrava a algumas milhas ao largo.
De seguida o Coronel Artur Cruz, comandante do helicopetero Puma da FAP, que chegou ao Cabo Espichel ao raiar do dia, relembrou a sua experiencia na operação de salvamento.


Foto: Agencia Lusa, 26/02/1989

Mesmo passados vinte anos a emoção e sentimentos das intervenções dos dois principais convidados demonstraram de forma bem visivel que ainda hoje é um assunto a que não ficam indiferentes.
A perda de vidas, a impotencia de prestar auxilio devido ás péssimas condições metereológicas, o grande dilema de arriscar tudo pondo em risco também a própria vida e a vida das suas tripulações fazem de todos os que participaram na operação de salvamento os heróis dessa noite, conseguindo salvar um dos botes com 24 pessoas que se debateram a remos com ventos de 100 Km/h e vagas de 5 metros.
Pela manhã o helicopetero salvou mais um dos poucos sobreviventes que se agarravam á vida nos poucos destroços ainda não afundados do cargueiro. A operação de salvamento do helicopetero só não terminou com a possivel perda de mais uma vida, no caso o mergulhador de resgate, por intervenção do Comandante do "River Gurara", depois do cabo do guincho do helicopetero ter ficado preso nos restos do navio.
Após ter ajudado o mergulhador-recuperador que na tentativa de salvar as vidas dos tripulantes ainda resistentes fracturou uma perna, foi varrido por uma onda e desapareceu nas aguas tempestuosas do Cabo Espichel.
O drama foi também assistido de terra e relatado na primeira pessoa pelo actual comandante dos bombeiros de Sesimbra e pelo Director do jornal SemMais, que na altura se deslocaram ao alto do Cabo Espichel para assistirem também á enorme tragédia que decorria á frente dos seus olhos.


Desenho : João Sá Pinto

É considerada a pior tragédia maritima, ocorrida em aguas Portuguesas nos ultimos vinte anos.
Pessoalmente, a forma de ver o actual destroço do "River Gurara" mudou. Continuarei certamente a mergulhar no local, mas mais importante que encontrar as especies marinhas que actualmente povoam os destroços, será a memória dos acontecimentos que prevalecerá.
Uma especie de santuário onde se presta homenagem aos mortos e principalmente aos heróis que evitaram uma tragédia maior.





"Quem vai para o mar...avia-se em terra !! "

Na parte final das palestras falou-se de segurança e prevenção quando se embarca para o mar.
Os cuidados que devemos ter, o planeamento e as informações necessárias.
Estes temas foram falados pelo Sr. Comandante do Porto de Sesimbra e pelo responsavel da Protecção Civil de Sesimbra.

Falou-se novamente da situação inadmisivel em que se encontram as escadas de acesso ás embarcações no Porto de Pesca de Sesimbra, da não utilização do cais de embarque para os possuidores de MT devido á sua desajustada operacionalidade.
Infelizmente ninguem da APSS esteve presente para se discutir mais sobre o assunto.

Sesimbra tem grandes aspirações com a divulgação e promoção do mergulho. A autarquia fala "de boca cheia" que Sesimbra pretende ser a Capital do Mergulho.
Quando se fala em segurança no mar, que obviamente começa em terra e quando se apresentam as condições actuais das escadas para mergulhadores recreativos e profissionais da nautica e da pesca, sem uma rápida resolução, as justificações e as intenções soam sempre a mediatismo hipócrita.

Neste assunto das escadas todos são culpados. Dos utilizadores ( falando agora só dos mergulhadores, que pagam um mau serviço prestado ), aos operadores de mergulho que não podem utilizar as escadas pondo em risco a integridade fisica dos seus clientes, havendo uma solução não funcional mas que discutida com a APSS certamente se encontrava uma resposta, á propria APSS, autarquia e responsaveis pela garantia das minimas condições de segurança de um equipamento que todos sabem ser de utilização pública.
A solução a meu ver é simples : como mergulhadores, apenas efectuar saidas com Centros de Mergulho que garantam a segurança da integridade fisica dos Clientes. Há Centros em Sesimbra que não utilizam as escadas !! Acredito que rapidamente os outros Centros procuravam alternativas e pressionavam a APSS para resolução rápida do problema.
O silencio e a conivencia dos Centros de Mergulho é também no minimo estranha. No cais de utilização para possuidores de MT está afixada uma lista com todos os autorizados.
Ainda não me dei ao trabalho de consultar a referida lista…mas espero encontrar lá indicados todos os Centros de Mergulho que efectuam saidas em Sesimbra.

No Sabado de manhã, mais um companheiro que pretendia apenas participar e contribuir com a sua presença no evento, sofreu uma violenta queda quando escorregou num dos degraus e a garrafa lhe caiu em cima da mão ferindo-o e levando-o ao Hospital Garcia da Horta.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Primeiros resultados do "brinquedo" novo

Já o escrevi aqui algures que não faço questão de ser um fotografo subaquático…mas que dá um enorme gozo tirar fotografias, é verdade !
Ainda muito no início, contando com a ajuda de alguns amigos mais "batidos" nesta area…devagar, tentando perceber ainda a "causa-efeito" das inumeras funções de uma maquina do mais simples que existe, ficam aqui as primeiras experiencias.
Ainda sem flash externo...entretanto já adquirido.
Vou continuar a "enviar postais"…

























As fotos foram todas feitas em Sesimbra, na "Baleeira" e na "Pedra do Leão" aproveitando uma das poucas opurtunidades deste Inverno em que consegui conciliar a disponibilidade com condições de mergulho aceitaveis.

Por fim, duas fotos tiradas por quem sabe :





quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

"Naufrágicos Anónimos" - Parte 1

Posted by Picasa

Começa após os primeiros cursos de mergulho. Nalguns casos mais graves há registos dos primeiros sintomas terem surgido antes e serem até a causa do curso de mergulho.
Alastra como um virus altamente contagioso.
Sabemos que o apanhamos quando perdemos a noção do tempo em pesquisas, primeiro na net, em sites conhecidos, depois em bases de dados espalhadas por todo o mundo onde nos registamos em busca de mais e mais informação, dados que nos alimentam a curiosidade.
Torna-se então evidente que apanhámos uma doença.
Procuramos ajuda nos sitios e junto das pessoas mais insuspeitas : arqueólogos, museólogos e outros doutores especializados, que aconselham e incentivam a continuação das pesquisas, como forma de não contrariar tão deformado discernimento.
Neste momento já temos alguns naufrágios bem conhecidos, estudados e analisados que completamos com fotos e videos tirados dos vários mergulhos que fazemos questão de efectuar.
Reparamos que não estamos sozinhos na doença.
Afinal há muitos mais com sintomas ou com manifestações dos vários estágios da doença e que por acaso até frequentam os mesmos locais de pesquisa e os mesmos Centros de Mergulho.
Somos muitas vezes discriminados, pela família e pela sociedade que não entende a beleza de um casco afundado á anos, corroído pela ferrugem e coberto de organismos que perpetuam a vida nestes locais muitas vezes inóspitos.
Há variantes á doença. Enquanto uns preferem a madeira apodrecida por seculos de imersão em agua salgada, procurando nos restos de metal a sua datação e nome, outros dedicam-se mais a epocas recentes, onde o aço e as caldeiras a vapor dominam.
A evolução é lenta, muitas vezes abandonada e retomada anos mais tarde ao surgir algo que altera o conhecimento momentaneo do naufrágio.
Ganha-se paciência, mesmo porque é pouco provavel que o naufrágio saía do sítio e as informações disponiveis sejam alteradas.
Qualquer mergulhador não fica indiferente aos naufrágios. O seu grau de satisfação ou de prazer nesse mergulho poderá desencadear o inicio da doença.
Encontramo-nos a contemplar o mar e os barcos que ali se encontram, muitas vezes á espera de maré para continuar a sua viagem, seja de passageiros ou de carga, tanto faz…e o unico pensamento que nos ocorre é : "Afunda !!!Afunda mesmo aí…!! Davas um lindo naufrágio".
Com o tempo queremos mais. Mais fundo, mais tempo, mais "dentro" e fazem-se os primeiros cursos de mergulho técnico. Nada há mais técnico no fundo do mar que um navio naufragado, com todo o seu equipamento, maquinaria e tecnologia. Já não são só os doutores a contribuirem para a evolução da doença, temos agora tambem os professores…de mergulho, chamados de instrutores.
Nesta altura verificamos também que os melhores naufrágios encontram-se sempre mais fundo que as certificações. Deveria haver uma lei que proibisse naufrágios abaixo dos 45 metros !!
Os poucos existentes a baixa profundidade servem muitas vezes para que os jovens recém formados experimentem as primeiras visitas, levando á renovação de novos doentes.
É necessário efectuar estudos mais detalhados ás reacções do ferro, bronze ou madeira com a agua salgada... estou convencido que a doença é contraída por essa reacção e disseminada através do mar.