sábado, 17 de outubro de 2009

Filme "The End of the Line"















Site oficial do filme "The End of the Line"

Mais um excelente documentário sobre um assunto que diz respeito a todos nós.

O filme "The End of the Line" será exibido no dia 16 de Novembro ás 18 horas na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.

Após o filme haverá debate com o realizador Charles Clover e Cesar Deben da DG Mare ( Comissão Europeia )







Já este ano, em Setembro, houve uma iniciativa pela primeira vez em Portugal, com uma semana inteiramente dedicada aos Tubarões e ao seu cada vez maior risco de extinção devido á acção humana.
A exibição do filme "Sharkwaters", por todo o País foi um dos momentos mais importantes dessa iniciativa.




















Site oficial do filme "Sharkwaters"

O assunto da pesca excessiva é cada vez mais debatido e analisado por organizações Internacionais como a Greenpeace

Greenpeace Portugal

Agora, com o filme "The End of the Line" é importante a sua divulgação e uma grande adesão.

É importante a consciencialização de que este é um assunto que diz respeito a todos !!

Não temos o direito de deixar um deserto aos nossos filhos !!

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

"Naufrágicos Anónimos" - Parte 2















Já são muitos, espalhados por esse mundo, os mergulhadores que se dedicam a pesquisar Naufrágios e a registar os resultados das suas pesquisas.
De forma algumas vezes amadora e maior parte das vezes financiada pelo próprio, tenta-se ser o mais rigoroso e fiel aos factos históricos. Os registos fruto desse trabalho são divulgados em blogs, sites, livros ou artigos de revistas e demonstram não só muitas horas de trabalho mas tambem o gosto que se tem em todas as fases que um projecto como esse envolve.
A publicação e escrita do trabalho final é sempre a ponta de um enorme iceberg…
Por todo o mundo existem muitas fontes de consulta desde bibliotecas, colecções particulares até sites com imensa informação.
Era impossivel aqui referir todos, mesmo porque, por mais impressionante que pareça, todos os dias surgem sempre mais, principalmente sites e blogs o que evidencia também o interesse que este assunto desperta.















O que leva um mergulhador a gostar de naufrágios não têm uma resposta unica e haverá sempre mais uma.
Há a parte histórica que todos os barcos encerram, o drama que qualquer afundamento envolve, as vezes sem conta que fomos e somos encantados por histórias de piratas e tesouros e o desejo recondito de "um dia serei eu…" apesar da consciencia, que implícita a um possivel descobrimento, protegido por leis e burocracia cada vez mais necessária, a riqueza material será pouca e a responsabilidade certamente inversa. Não importa ! Ficará para sempre gravado na história o seu nome, ligando-o, a algo maior e que no limite poderá estar ligado á História Universal.
Talvez a razão mais simples seja também uma questão dos nossos tempos. A actividade humana excessiva a todos os niveis reflete-se de forma inrecuperavel nos Oceanos. Locais que á cerca de uma dezena de anos fervilhavam de especies e de vida, hoje dificilmente se avistam grandes exemplares e a variedade de especies não será mais que uma dezena das mais adapatveis ou resistentes á nossa predação descontrolada, uso excessivo de recursos limitados e falta de respeito ambiental.















Para um mergulhador nada é mais desolador do que constatar que muitos dos spots de mergulho são actualmente desertos.
Contrariando esta tendencia, todos os naufrágios servem como recifes artificiais para a fixação e desenvolvimento de muitas e variadas especies, que aqui encontram alimento, abrigo e protecção inclusivé do homem. Não há pescador que não tenha perdido as redes por esses naufrágios espalhados. Aliás, ainda hoje uma forma de possivel detecção de um naufrágio é através dos registos e relatos de pescadores que perderam as suas redes em locais identificados nas sondas como de peixe abundante e que afinal escondem também algo onde as redes ficam presas.
Maior parte dos naufrágios são hoje oásis de vida e locais onde é tão abundante e variada que faz do local onde está o naufrágio um dos melhores sitios para se encontrar vida.
Estranho paradoxo para um local muitas vezes associado a grandes e trágicos acidentes.
Em muitos locais do mundo são afundados deliberadamente, por empresas especialmente dedicadas a esse negócio e depois de devidamente preparados para que tenha o minimo de impacto e influencia no meio marinho onde ficará inserido. Como é obvio, não há soluções 100% fiaveis,mesmo com todo o trabalho de limpeza e remoção de substancias poluentes.
Desde aviões 737, carruagens de comboios, até grandes navios de guerra descomissionados ou obsoletos, sendo um porta-aviões o expoente máximo, ao longo dos anos têm sido varios os exemplos por esse mundo fora.











http://www.digitalwavelabs.com/oriskany/

http://www.cdnn.info/industry/i040124/i040124.html


Há variados estudos interessantes sobre a evolução da fixação de vida nestes locais, assim como estudos relacionados com a procura pelos mergulhadores destes locais e o numero de anos que demora o investimento a ter retorno e gerar lucro para as empresas que resolveram também investir neste tipo de negócio.
Infelizmente ainda nem todos os governos reconhecem esta forma de atrair turismo e capacidade de gerar mais negócio, mas acredito que faltará muito pouco para essa situação se inverter.
Em Portugal existem dois casos de sucesso garantido. O navio IPIMAR em Faro, Algarve e o "Madeirense" em PortoSanto, Madeira, que considero ainda hoje o melhor mergulho efectuado em aguas Portuguesas.

http://www.artificialreef.bc.ca/

As próprias agencias internacionais de formação em mergulho reconhecem, apoiam e incentivam a criação de variados projectos ligados á protecção dos naufrágios criando e divulgando programas especificos a quem pretender "adoptar" um naufrágio, quer a nivel individual como em grupo ou associação.
Em Portugal, com a reorganização dos organismos oficiais ligados á Arqueologia Nautica e Subaquatica, espera-se que um dia seja dado o devido valor e apoio a quem pretende investigar o rico e vasto património subaquático, protegendo-o assim realmente. Muita água há para navegar nesse caminho…
Projectos de afundamentos de navios continuam encravados nas burocracias e organismos. Fala-se á anos da execução desses projectos…
Ou seja, interesse a todos os niveis existe, desde mergulhadores amadores com real interesse no assunto a empresas de mergulho dispostas a investir.
No caso da Arqueologia, com a Subnauta a reactivar a formação em cursos NAS, alguns desses mergulhadores estarão certamente interessados em iniciar ou avançar na sua formação, contribuindo para dinamizar esta area, com a possibilidade de participar em projectos que poderiam ser criados, á semelhança do que acontece em outros Paises.
Apenas falta um real interesse e motivação de quem pode criar as condições necessárias, quer á dinamização, quer desbloqueando ou acelerando todo o processo.










Até lá, de uma forma dispersa e individual vão surgindo iniciativas que serão sempre mal aproveitadas, perdendo-se a oportunidade e desmotivando todos…algumas vezes de forma definitiva.

http://uneepaveraconte.net/english/index.htm

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Cabo da Roca - "Broeiro"















Do alto dos seus mais de 150 metros de altura, o farol lá estava… Testemunha e espectador priveligiado do mar que corre aos seus pés.
Imponente presença, muitas vezes ameaçadora para homens e barcos que em dias de tempestade ousam passar perto dos seus contrafortes.
Chegámos cedo.
A viagem de Cascais ao "Broeiro" demora meia hora, passada a contemplar o mar imenso que nos rodeia, aquecidos dentro dos fatos pelo sol que brilha já intenso naquelas horas da manhã.
O mar está invulgarmente calmo. Mais que calmo. Sem vento, sem ondas, alternando a sua cor entre o verde amarelado junto a terra ao azul limpido quando nos afastamos da influencia costeira.
Bons prenuncios, para os dois mergulhos planeados dessa manhã.
Recordo-me de um dos melhores mergulhos que já fiz em Portugal : estavamos em Novembro de 2006 e no "Broeiro", nesse dia, encontrámos mais de 20 metros de visibilidade, agua a 18º C e as restantes condições ideais para um mergulho inesquecivel.
Nessa data ainda pouco se conhecia no Cabo da Roca e só umas semanas depois é que foram descobertos pelo Francisco Macedo da Extreme Dive, o conjunto de canhões que ficaram a ser conhecidos como os "Canhões da Roca".















Ao chegarmos ao local tivemos de "negociar" o plano de mergulho, porque mesmo por cima da pedra um barco de pesca desportiva já entretinha os seus tripulantes.
Concordámos descer pela pedra e ao chegar no fundo, em vez de seguir pelo desfiladeiro de acesso aos canhões, virar em direcção a terra e explorar alguns dos canyons e pedras variadas que abundam no fundo.
A agua estava limpida e azul, de tal forma que o topo da baixa e algum do relevo mais fundo era perfeitamente visivel de dentro do barco. Começámos ( eramos 4 pessoas a bordo !! ) com as habituais apostas sobre a visibilidade !
Teriamos de mergulhar em trio, o que longe de ser o ideal em termos de segurança, com a experiencia e conhecimento dos buddies João Toco e Pedro Cunha, não seria também razão para qualquer atenção especial. A bordo ficava o Francisco Macedo.
Equipados e na agua descemos os primeiros metros até ao topo da pedra a cerca de 5 metros. Na frente segue o Pedro Cunha, comigo e com o João Toco atrás lado a lado.
A visibilidade é excelente !! Conseguimos ver na horizontal mais de 10 metros e sem qualquer corrente a descida vais ser bastante suave e gradual até ao fundo.
Rodando sempre á nossa esquerda após chegarmos ao topo, "caímos" suavemente pela parede vertical até aos 18 metros, passamos o obstaculo á nossa frente e continuamos a descer no azul até aos 27 metros do fundo.
Como combinado, não entramos no desfiladeiro á nossa esquerda, onde habitualmente reside o cardume de Fanecas e que dará acesso aos canhões.
Viramos á direita e seguimos junto a um fundo coberto de pedra redonda de diversos tamanhos espalhados por cerca de 20 metros. Estamos rodeados por enormes pedras que sobem algumas mais de 15 metros.

Junto ao fundo enquanto o João Toco se entretem em fotografar um nudibranquio da especie "Babakina Anadoni", com o seu padrão de cores bastante originais, duas Abroteas disputam um buraco onde se esconder.
Esponjas de várias especies abundam, destacando-se grandes exemplares de esponjas amarelas.
Continuamos em frente e o fundo mantem-se quase sempre igual. Ladeado por enormes pedras e fundo coberto de pedra.
O tempo não pára. Estamos a meio do mergulho, a meio do ar das garrafas. É necessário voltar e começar a pensar em iniciar a subida.
Voltamos pelo mesmo caminho até ao desfiladeiro e ainda temos tempo de visitar o canhão nº 8.
Não há tempo para mais. Inicio a subida deixando mais abaixo os meus dois companheiros. Subo lentamente pela pedra em frente do "Broeiro" que me leva até aos 12 metros de profundidade.
No topo da pedra, um cardume de Sargos e de Peixe-Porco alimentam-se em cardume.
O topo destas pedras estão completamente cobertas de enormes Mexilhões que servem também de alimento a diversos outros animais. Os Polvos abundam de variados tamanhos, camufulados tentam passar despercebidos.
Já no topo da pedra, o Pedro Cunha informa-me para nos dirigirmos á pedra onde cerca de 40 minutos antes iniciámos este fabuloso mergulho.
O patamar é passado abrigado numa reentrancia da rocha acompanhado de Mexilhões e cardumes de Sargos que passam por cima.

A ideia de explorar a area em redor do "Broeiro" tem como objectivo tentar encontrar mais pistas que ajudem a identificar os canhões que se encontram junto ao seu fundo.
Pelas caracteristicas do fundo na zona em redor, qualquer percepção de uma hipotética pista será um verdadeiro desafio.
As madeiras já desapareceram á muito, apodrecidas e desfeitas pela força do mar. Pedras de lastro usadas pelos antigos navios passam completamente despercebidas no meio de outras pedras sem qualquer ligação.
Os desfiladeiros ladeados por enormes elevações de rocha quase verticais, concentram no seu fundo qualquer pista ou vestigio. Resta ter a sorte e saber em que desfiladeiro poderá estar ( ou não ! ) aquilo que procuramos.
Resta continuar a procurar, aproveitando todos os mergulhos que possam ser feitos no local, especialmente aqueles que são feitos nas condições perfeitas que encontrámos desta vez.


É sempre um local muito especial onde tenciono voltar sempre que possivel.
Sempre que ali mergulho vêm-me á lembrança, não só os excelentes mergulhos que já ali fiz, mas também as palavras do grande poeta Camões :

"Aqui…onde a terra se acaba e o mar começa..." in Os Lusíadas , Canto VIII

Quatrocentos anos depois, para quem ali mergulha, são palavras que fazem todo o sentido constatando que Camões estava certo, mesmo não conhecendo as belezas submersas…!!


Anexo:
Relatório Preliminar sobre o achado dos Canhões da Roca, 2007


Cabo Raso - "Pedra da Arriba"




















Depois do excelente mergulho na "Pedra do Broeiro", de um intervalo de superficie de duas horas feito numa das muitas enseadas abrigadas junto ás arribas da Roca, onde o tempo foi aproveitado para repor energias, passado entre conversas "só para homens", entre anedotas e histórias mais ou menos "picantes".
A boa disposição e espirito descontraido fez o tempo voar.
Estava na altura de nos dirigirmos ao local escolhido para segunda imersão. Teriamos de nos dirigir para Sul em direcção ao Cabo Raso e á "Pedra da Arriba".
Localizada mais afastada de costa, seria o lugar ideal para novo mergulho já que as correntes e o vento de sudoeste, fraco, ajudam a manter a agua limpa da suspensão habitual.
Novamente em grupo, descemos pelo cabo do barco. A visibilidade está pior que no mergulho da manhã.




















Nos primeiros 15 metros a corrente ligeira faz-se sentir, depois tanto a visibilidade como a corrente melhoram significativamente permitindo ver a pedra no fundo.
A formação rochosa parece ser enorme em comprimento. Estende-se mais ou menos perpendicular a terra, comprida e dificil de ver toda a extensão em apenas um mergulho ainda para mais á profundidade de 30 metros num segundo mergulho do dia.
Decidimos seguir para Oeste e ficamos pela zona em redor do cabo de descida.















O tempo máximo não descompressivo é atingido rápidamente e temos de subir. Inicio a subida lenta deixando ainda para trás os meus dois companheiros de mergulho.
Aos 15 metros distingo perfeitamente o inicio da subida do João e do Pedro e as milhares de bolhas exaladas que aumentam de volume sempre a subir até á superficie. Um espectaculo de ver quando as aguas têm aquele tom azul de agua limpida, muito pouco habitual de encontrar nas aguas ao largo de Cascais.















Terminado o segundo mergulho, "perseguimos" novamente o tom azul com que somos brindados em algumas partes daquele imenso Oceano.
Paramos o barco. Apenas com a mascara, mergulhamos a cara e o ferro na proa do barco…paramos de baixar ferro quando deixamos de ver a ancora na ponta. São mais de 25 metros de visibilidade !!
Ainda temos a ideia de fazer uma especie de "mergulho no azul", mas cansados da viagem, dos mergulhos e do trabalho que dava novamente equipar para acabar com o pouco ar das garrafas, acabamos por desistir trazendo apenas a recordação de algumas fotos tiradas a um cardume de Tainhas que entretanto se juntou por debaixo do barco.











São condições excepcionais e muito raras que nos deslumbram por não estarmos habituados a encontrar nestas paragens Continentais.

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Quando mergulhar ultrapassa o prazer e nos enche de orgulho…












Prólogo - Agosto de 2008.
Aí estava mais um aniversário do Cabana Divers na Fonte da Telha.
Começo cada vez mais a perceber, que os anos passam a correr quando, os intervalos entre aniversários do Centro parecem ser cada vez menores e directamente proporcional ao esforço de arrastar todo o material entre o estacionamento e o Cabana Bar…Quando chegar o 25º aniversário não quero nem pensar como vou proceder a tal tarefa !!

Como também já é tradição, o levantar bem cedo nesse dia, fazer os 50 km incluíndo atravessar a "25 de Abril", que por motivos obvios ( é Agosto, mês de férias e não se paga portagem ) tem de ser feito muito cedo, com o objectivo de conseguir um lugar nos primeiros barcos que irão estar non-stop a levar mergulhadores para dois dos mais emblemáticos spots de mergulho : "Pedra da Lagoa" e "Pedra dos Safios".

Tenho sorte. Consigo chegar de "madrugada" e arranjo lugar no terceiro barco a sair, que terá como destino a "Pedra dos Safios".
Dá tempo para encher garrafas, equipar com calma, trocar umas "bocas" com os amigos ( alguns só os vejo neste dia, todos os anos ) e embarcar.
É sempre um dia especial. O mar está calmo, o sol brilha já com intensidade e o vento sopra com alguma força.
Com os primeiros barcos a chegar sabemos que a visibilidade não está nos melhores dias e que a suspensão dos primeiros metros não deixa a luz chegar fundo na agua.
A viagem é curta, menos de 10 minutos separam a linha de costa do spot. Praticamente é embarcar e equipar, para no momento seguinte estarmos já prontos no cabo para descer.

Os primeiros metros a agua é verde, escura e densa com tantos organismos em suspensão. Depois melhora um pouco.
A chegada ao fundo é anunciada pelo cardume de fanecas que rodeiam a pedra, oferecendo os seus flancos prateados á luz das lanternas.

De seguida, a primeira visão da laje de pedra…e a desilusão.
Uma enorme rede de pesca abandonada cobre uma vasta area sufocando sob o seu peso as Gorgónias, algas e demais flora que ali se fixam.
Para além do peso obrigar a que tudo esteja dobrado, o constante raspar provocado pelas correntes provoca a quebra de algumas grandes Gorgónias.
Pelo aspecto, a rede está á pouco tempo no local, mas já serve como deposito para algum lodo contribuindo para a degradação da flora.
Algumas das tocas dos Safios estão também tapadas.
Verificamos depois que se trata de dois tipos de rede diferentes, em duas areas pouco afastadas.

Naquela profundidade, sem um plano e uma equipa preparada, qualquer tentativa de recuperar a rede de imediato poderia ter graves consequencias para os mergulhadores.
A opinião é unânime : a rede tem de ser retirada urgentemente para reabilitar o local.
Nas primeiras conversas com o Manuel Pedro e com o Paulo Pombo, esboçamos já um primeiro plano de trabalho : as tarefas que têm de ser feitas, a constituição da equipa, o tempo e numero de imersões, as autorizações e apoios necessários.
Alguém do grupo lembra que no mês seguinte haverá o PADI - Clean Up Day enquadrando-se esta actividade na iniciativa.
Há que fazer os primeiros contactos e a inscrição on-line. Os apoios que oferecem não são os adequados para esta actividade especifica. No entanto fica registrada como actividade do Clean Up Day, comprometendo-nos a enviar o relatório no final da actividade.
No plano de actividades queremos fazer mais.
Por uma questão de divulgação solicito á direcção da APDM apoio para que a actividade seja mais uma incluída no Clean Up Day organizada pela Associação, em parceria neste caso com o Cabana Divers.
A actividade é também divulgada na revista Planeta d'Agua e é enviado a vários orgãos de comunicação social, incluíndo televisão uma descrição da actividade e seus objectivos.
A equipa é formada rapidamente por 9 elementos. Quatro duplas de mergulhadores a quem serão dadas tarefas especificas e um videografo para registar toda a actividade.
Em terra o Manuel Pedro dará o seu contributo pondo o Cabana Divers á nossa inteira disposição.
Todo o plano de mergulho, de operações e definição de tarefas ficam a cargo do Paulo Pombo.

Estava assim planeada a acção de retirar do fundo as duas redes. O dia agendado seria 17 de Setembro de 2008, dia Internacional das Limpezas de Praia e Subaquáticas.



Relatório e feedback da iniciativa
Tal como tinha ficado decidido, o relatório da actividade foi enviado nas semanas seguintes para a PADI-Europe acompanhado do filme.
Em paralelo, entrego pessoalmente uma cópia também do filme a um dos canais de televisão Nacional, com a intenção de divulgar a actividade e o contributo que os mergulhadores, de uma forma completamente voluntária, dão na conservação e preservação do ambiente.
Da parte da PADI-Europe recebi bastantes elogios e a promessa de divulgação do filme em Feiras e Encontros Internacionais, para além de um convite para uma reunião agendada para Fevereiro no decorrer da Nauticampo - Exposub 2009, para falarmos mais sobre projectos semelhantes e aos quais a PADI dá apoio.
Do canal de televisão, nem uma imagem, nem um segundo de "tempo de antena"…
Como ninguém foi atacado por nenhum "monstro marinho", não recuperámos nenhum cadaver nem sequer houve sangue ou alguém aleijado, para quê divulgar algo de positivo, construtivo e de extrema importancia para todos ? Não é assunto que vende...

Agosto de 2009 - 10º Aniversário do Cabana Divers















Depois da limpeza realizada em Setembro 2008, nunca mais mergulhei na "Pedra dos Safios". Por nenhuma razão em especial…não coincidia, não havia disponibilidade…apesar de durante o periodo de Setembro 08 a Agosto 09 ter feito algumas saidas na Fonte da Telha, principalmente na "Pedra da Lagoa" e ao "Maria Eduarda".

O ritual é o mesmo : viagem cedo para Sul, chegar cedo para mergulhar cedo, tentar regressar a casa "mais" cedo, pegar a familia e regressar ao Centro "o mais cedo" possivel para a festa de fim de dia…Simples !!

Após a chegada e inscrição "calha-me a sorte" de ficar primeiro no barco nº 5 e depois de falado com um companheiro de mergulho, fazemos a troca e junto-me a alguns amigos no barco nº 4, incluíndo uma das duplas que tinha participado na limpeza do ano anterior ( João Andrade e Vitor Faustino ).

O spot será o regresso aguardado á "Pedra dos Safios" !
Confesso que estava curioso por ver como o local estaria um ano depois de ter sido retirada a rede.
A pressão da rede era intensa sobre as frageis Gorgónias e o constante oscilar para a frente e para trás provocava um terrivel efeito de serra cortando e partindo alguns dos seus ramos.
Durante a operação de retirada da rede a visibilidade tinha ficado tão má que pouco nos apercebemos do resultado, inclusivé algumas das Gorgónias não resistiram, por mais cuidados que apliquemos nos puxões e cortes que fizemos.

O mar está completamente "chão" mas somos acompanhados por uma chuva miuda e persistente…
A agua está fria para uma manhã de Agosto.
Os 34 metros que nos separam do fundo são divididos em três camadas distintas. A primeira com cerca de 15 metros é verde e leitosa devido á quantidade de organismos em suspensão, os 10 metros seguintes melhora significativamente mas torna-se escuro devido á profundidade e á luz ficar retida nos primeiros metros.
No fundo, com uma corrente muito ligeira a visibilidade é de 7 metros. As lanternas são fundamentais neste mergulho e assim que vimos o fundo começam os primeiros reflexos das Fanecas do enorme cardume residente que nos cercam completamente.
Á nossa frente encontra-se a laje de pedra., menos assoreada que da ultima vez e cheia de vida !!
As Gorgónias recuperaram completamente e cresceram, cobrindo a pedra por completo nas suas várias cores : brancas, vermelhas, amarelas, azuis !!
Esponjas e outras algas cobrem os poucos espaços livres deixados pelas gorgónias !!
As Fanecas continuam a circular no local, acompanhadas por enormes Sargos e Anthias.
Os enormes Safios entocados espreitam ao aproximar as lanternas, como que enfeitiçados pela luz.
A explosão de vida é espectacular !!
A transformação do local é visivel e deve-se á retirada das redes. Disso não há a menor duvida !

Foi extremamente gratificante verificar como acções tão simples, com algum risco envolvido, mas sem qualquer esforço ou obrigação, porque todos o fizemos com gosto e prazer principalmente, tem um impacto tão profundo no meio ambiente como o que é possivel ser verificado na "Pedra dos Safios".

A partir de hoje, para além do prazer que sinto em todos os mergulhos que faço, junto também um enorme orgulho e gratidão.
Orgulho por ter participado nesta iniciativa e gratidão a todos os que de alguma forma ajudaram a realizar a limpeza do local e a transformá-lo naquilo em que se tornou um ano depois.

( prometo que logo me seja possivel coloco aqui fotos de como o local está actualmente )

terça-feira, 14 de julho de 2009

Fonte da Telha...ás portas de Lisboa !!

É sempre um prazer mergulhar na Fonte da Telha...

Este fim de semana, para "calibrar" a vista á realidade Continental Portuguesa, foi convidar um grupo de amigos e lá fomos fazer um mergulho no ex-libris do Cabana Divers, "Pedra da Lagoa"

Mergulhar apenas pelo prazer, sem maquina, sem objectivo a não ser estar com amigos.

Ao grupo de três ( eu, Paulo Carmo e Pedro de Carvalho ) juntou-se mais um mergulhador "turista" do país de nuestros hermanos.

Os pequenos filmes que aqui podem ver são da autoria do Pedro de Carvalho.

O primeiro, parece a ementa com elementos "ao vivo" da marisqueira da esquina...
São as filmagens do mergulho que fizemos.
O segundo, são alguns minutos de pura acção...que nos fazem ficar com uma inveja "do caraças" de não sermos capazes de estar assim dentro de agua.





Desta vez a descrição do mergulho fica pela velha máxima de que "Uma imagem vale mais que mil palavras"

Isto tudo a 30 minutos de Lisboa...

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Lanzarote, Ilha de Fogo.


Há milhares de anos atrás, a conjugação de enormes forças vindas das entranhas da Terra juntaram-se para criar o Arquipélago das Canárias, um conjunto de 7 ilhas situadas a 1000 kms do sul da Península Ibérica e a 100 kms da Costa Africana.
As influências climatéricas da sua latitude Sul e a proximidade dos ventos quentes do deserto do Sahara influenciam e determinam o clima, a vida e a paisagem das ilhas.


No entanto, em Lanzarote é o seu passado geológico recente que marca a paisagem, tornando-a única, espectacular e original.
Lanzarote é semeada de vulcões ainda activos. Por toda a ilha é impossivel esquecer essa situação.
A zona sul e sudoeste, onde está localizado o Parque Natural de Timanfaya ( um dos mais visitados em toda a Espanha ) revela a paisagem criada pelas ultimas erupções vulcanicas de à pouco mais que 250 anos e que foram de tal modo intensas e significativas que desde essa data a vida e a ilha sofreram alterações muito profundas. Hoje serve como local de estudo para fenómenos idênticos em todo o mundo.
Afirmam os estudiosos que a zona afectada revela uma evolução ao nivel da flora e da fauna semelhante aos primórdios da origem do planeta, como se ali, forjado pelo fogo, naqueles 150 km2 pertencentes ao Parque Natural o inicio da vida tivesse uma nova oportunidade.
A fragilidade e singularidade é por demais evidente. Nas grutas há uma especie unica no mundo, que apenas se conhece a sua existencia naquele lugar, de uns minusculos caranguejos aquáticos.
No enorme mar de lava criado pelas erupções vulcanicas a vida resume-se a alguns répteis, insectos e liquens que teimam em sobreviver.


A cor negra, de tons dourados, castanhos e pastel conquistam a vista rápidamente. O contraste das casas brancas de janelas verdes pintadas pelo homem, equilibram a palete de cores como uma compensação pelos tons escuros da Natureza.



Depois, o engenho do Homem em extrair do solo de lava um excelente vinho que nasce nas encostas dos vulcões, cavadas e muradas para protecção dos ventos abrasadores, o espirito inconformado do artista que na sua inspiração cria oásis mágicos, usando apenas o que poderá sobreviver em tão pobre e inóspito solo : palmeiras e catos…muitos catos, de todo o mundo, que ao florescerem trazem consigo das mais belas e originais flores existentes na Natureza.


Fugindo, sempre que possivel, aos locais lotados de turistas conhece-se praias quase desertas, mantidas dentro de Reservas e longe de hoteis, de acesso dificil e condicionado.
Povoações inteiras transformadas num enorme mercado onde se vende todo o tipo de artesanato e produtos tipicos da ilha e onde afluem turistas de todo o mundo. De brincos a pulseiras feitos de materiais reciclados, tais como caricas (!!) e cuja artesã os mostra com orgulho, aos produtos feitos de lava, roupas de linho, couros e cabedais até aos lindos trabalhos de vidro ensinados pelas antigas tribos da América Central, conhecimento trazido para as ilhas pelos antigos conquistadores Espanhois e mantido como segredo de familias durante séculos e séculos.





A quantidade de lava expelida estende-se por kilometros a perder de vista, até encontrar o mar.
Se nas "Montanhas do Diabo" a vida é frágil e escassa, a Natureza compensou Lanzarote abençoando as suas aguas Atlânticas de uma explosão de vida incrível.
Com temperaturas na agua entre os 21 e os 24º C encontram-se aqui cardumes enormes de Xaréus, Barracudas, Salemas, Sargos, Atuns e demais especies características destas águas.



Para além dos cardumes, em todos os mergulhos fui brindado quase sempre por três espécies que encantam qualquer mergulhador : Meros, de pequeno e médio porte, Ratões, graciosos no seu vôo oceânico e Tubarões Anjo, "Angelotes" como são conhecidos, da Familia Squatina squatina.
Todos os mergulhos foram feitos através do Centro de Mergulho Rubicon Diving Center, localizado na bela Marina de Rubicon com um barco potente e bem equipado ancorado mesmo junto ao Centro, fazendo com que o esforço de carregar e descarregar todo o material seja facilitado.
Para além da loja de apoio, espaço para guardar o material e vestuário com banho quente, o Nitrox é oferecido ao preço de Ar para quem possuir a respectiva Certificação ( PADI ou TDI ).
Depois de no primeiro dia de chegada, a primeira incursão neste paraíso ter sido feito em apneia na "Playa de Papagayo" acompanhado pela filha mais velha, aquilo que vi deixou-me numa enorme expectativa da qualidade dos mergulhos.
Ainda em Portugal, tinha deixado reservado seis mergulhos com intenção de conhecer alguns dos spots que Lanzarote tinha para oferecer.
Todas as saidas seriam duplas, ou seja num dia fariamos dois mergulhos distintos com intervalo de superficie a ser feito no Centro de Mergulho ou no barco, dependendo da distancia dos spots.
Em qualquer das opções, durante o intervalo para além do merecido descanso, era fornecido um pequeno lanche para recuperar energias e liquidos.

Mergulho 1 - "Flamingo Reef"



Como seria de esperar era o unico Português. Fui extremamente bem recebido pelo Chris, que dirige o Centro para além de ser Instrutor e mergulhador técnico "convertido" aos Rebreather.
Depois de explicado o funcionamento e regras do Centro, fui convidado a assistir ao briefing dado pelo Josean, guia do grupo daquele dia.
Aquele primeiro mergulho serviria também como check dive, já que no grupo havia alguns mergulhadores com pouca experiencia. A profundidade não excederia os 14 metros e o tempo de fundo os 40 minutos.
A viagem foi rápida até ao spot que fica localizado em frente á praia "Flamingo".
O quebra-mar construído para oferecer maior abrigo á zona balnear da praia Flamingo e que na sua extensão quase sempre vêm até á superficie, oferece umas condições excelentes para a fixação dos cardumes de peixes.
O fundo de areia branca, sem vegetação, visibilidade superior a 25 metros, a referencia da "parede" do nosso lado e temperatura de 22º C fazem deste spot o local ideal para mergulhadores pouco experientes.
A agua quase cristalina permite ver o fundo da superficie, ainda dentro do barco. Junto ao cabo, coloco a mascara na agua e vejo nitidamente o ferro no fundo, onde um Ratão, talvez curioso pelo ruido e sedimento levantado se aproxima para investigar.


O buddy para este mergulho seria o Fernando, que das poucas impressões trocadas consegui perceber que para além de muita experiencia em mergulho, conhecia muito bem o local.
A vontade e ansiedade de mergulhar ali era tanta que fez-me várias vezes o sinal de "calma".
Ao fim de pouco mais de 5 minutos de imersão oiço o tilintar do guia e o característico ( e internacional !! ) simbolo de tubarão !!
Rapidamente desloco-me para o local apontado pelo guia e vejo no fundo pela primeira vez um Tubarão-Anjo enterrado na areia e encostado á muralha de pedra.
Pela presença dos mergulhadores á sua volta, o tubarão com cerca de 1 metro de comprido, sentindo o incomodo desenterra-se do fundo e deixa-se ficar quieto como que a posar para a fotografia.
Por indicação do guia, é sempre conveniente deixar uma linha de fuga aberta para o caso do tubarão querer deixar de ser o centro de tantas atenções.
Ao fim de talvez um minuto foi o que fez. Bateu as suas barbatanas e ondulando caracteristicamente seguiu a sua vida deixando um grupo de mergulhadores extasiados.
Seguimos o nosso mergulho e deparamo-nos com o maior cardume de peixe que já vi na minha vida. Ainda em choque pelo tubarão e quase que o regulador caí da minha boca com a nuvem de peixe que desfila na minha frente.
Mais uma vez oiço o tilintar do guia, insistente e continuo. Procuro á minha volta e já o Fernando indica o caminho com uma mão e o simbolo de tubarão sobre a cabeça com a outra.
Só penso : " Devem estar no gozo…!!!". Novamente, semi-enterrado na areia encontra-se um outro Tubarão Anjo. Desta vez bem maior, com quase 1,80 metros. Percebo então a insistencia do guia…
Estamos perante um exemplar com um tamanho muito proximo do máximo que estes belos animais podem atingir.
Desta vez quero conseguir uma foto do tubarão quando sair do fundo, não esquecendo que não me poderei colocar de frente, tapando a sua linha de fuga.


Esta especie de tubarão não ataca nem sequer é perigosa. Mas como todas as especies, para além do respeito que nos merecem, necessitam que os deixemos em paz e emboscados na sua busca de alimento. A disposição dos dentes na sua boca, quando motivado por algum descuido da parte dos mergulhadores, basta um pequeno toque para provocar um arranhão ou algo mais sério. Aliando a isso a velocidade de reação rápida e temos de tomar alguma atenção ás suas movimentações.
Coloco-me assim, junto ao fundo o mais perto que consegui tentando passar despercebido.
A reação é tão rapida que disparo quase de imediato após me imobilizar. O tubarão desta vez não foge pela linha de fuga prevista e rapidamente desvia-se para a esquerda, passando a meio metro da minha cabeça entre mim e o parceiro que estava a meu lado.
Faço ainda mais um disparo da maquina quase que por instinto. Infelizmente qualquer uma destas duas fotos ficam muito más.
Felizmente a Tashi regista o momento tirando uma bela foto do tubarão quando este se eleva do fundo.
Para mim chegava de aventuras com tubarões logo no primeiro mergulho !! Quero voltar a encontrar o belo cardume que pouco antes desfilou na minha frente.
A meia-agua e junto ás rochas da muralha deparamo-nos novamente com as centenas de peixes que em cardume se defendem de um grupo de barracudas que os observam a pouca distancia.
Acompanhamos e seguimos o enorme cardume até finalizar o tempo planeado para este mergulho. As suas movimentações em conjunto quase parecem feitas por um unico individuo.

Mergulho 2 - "Costa del Faro"



Depois de um pequeno lanche e de feito o intervalo de superficie, embarcamos para o segundo mergulho do dia.
Destino, a ponta Sudoeste da Ilha, algumas milhas depois do local do primeiro mergulho.
O mergulho aqui seria diferente. Profundidade máxima que não deveriamos exceder de 25 metros, mergulho feito principalmente em parede com o relevo do fundo a descer rapidamente para grandes profundidades.
Uma das caracteristicas que observei em Lanzarote, é que basta afastarmo-nos uns poucos metros da linha de costa e estamos em locais com profundidades consideraveis bem perto da costa.


O barco ferra numa pequena baía junto ao "Farol ( Faro, em Espanhol) de Pechiguera", local muito calmo onde nem sequer o vento fraco faz mexer a agua.
Novamente em grupo e guiados pelo Josean descemos pelo cabo do ferro até um primeiro degrau a cerca de 18 metros onde a rocha de lava escura cobre o fundo, numa especie de continuação da paisagem á superficie.
Desta vez sou acompanhado pela Bego, mergulhadora Basca e "aficionada por pecios". Formaremos equipa para os restantes mergulhos.
Talvez porque ambos estamos habituados a condições mais dificeis de mar devido aos locais onde mergulhamos, o que nos faz ter uma atitude de maior alerta e de atenção com o parceiro de mergulho, formámos uma bela equipa, com excelente entendimento e consumo semelhante o que permitiu ir melhorando e aproveitar o que de melhor os mergulhos têm para oferecer.
Com o mesmo tempo de fundo planeado de 40 minutos e com o tipo de fundo encontrado, foi procurar dentro dos buracos á medida que lentamente avançavamos, descendo na parede até á profundidade planeada, espreitando o abismo com a sua cor azul que nos chama e hipnotiza.
Lá mais abaixo, talvez perto dos 50 metros o grupo de 3 mergulhadores técnicos fazia os seus drills de troca de gases de descompressão enquanto subiam lentamente.


As Moreias, alguns Meros e muitas Aranhas do Mar foram os principais atrativos do mergulho.
Na coluna de agua para além das sempre presentes Barracudas, passou um grupo de Atuns a fazerem lembrar aviões em voo de formação.


Completados que estavam os 40 minutos planeados, já junto ao cabo e ainda com ar suficiente na garrafa, foi dificil cumprir com a "ordem" do guia Josean de nos fazer subir e dar por terminado o mergulho.
No dia seguinte estavam planeados mais dois.

Mergulho 3 - "Las Lenguas"



As formações de lava neste local fazem lembrar uma enorme estrela de vários braços. O plano é descer até ao topo da pedra, situada a 15 metros e depois descer até aos 20-25 metros onde o fundo é areia e fazer o mergulho contornando os "dedos" da rocha.
Em termos de diversidade de vida é dos mergulhos mais variados. No fundo vamos procurar os Tubarões Anjo e Raias ou Ratões, nos topos das pedras existem os cardumes de várias especies, no azul passam as Barracudas e Atuns enquanto que nas várias reentrancias e grutas existem desde Nudibranquios com quase 10 cm de comprimento, até Meros e Moreias que são dificeis de convencer a posarem para as fotos.

Um mergulho espectacular que vale pelo conjunto da paisagem e da visibilidade encontrada.
Decorridos os 40 minutos planeados, eu e a Bego somos "autorizados" a permanecer mais um pouco com o compromisso de não sairmos da zona formada pelos "dedos".

Mergulho 4 - Regresso a "Flamingo Reef"



Depois do intervalo de superficie e do merecido lanche, embarcamos mais uma vez em direcção á "Playa Flamingo", á sua muralha, aos Tubarões Anjos e ao enorme cardume residente !!
Um jovem casal Francês acompanha-nos só neste segundo mergulho.
Encontramos a visibilidade bastante afectada por muitas algas que flutuam e ondulam na coluna de agua, chegando a incomodar o proprio mergulho.
O aparecimento destas algas deveu-se ás correntes e ao aquecimento da agua. Nesse dia e nesse local a agua estava a 24º C, mas com muitas termoclinas e correntes.
Felizmente a quantidade de vida não foi minimamente afectada. Em poucos minutos vimos os Tubarões Anjo.


Se ainda tivesse alguma dúvida do prazer e fascinio de um simples mergulho, longe das condições ideais do dia anterior, bastava olhar para a cara de felicidade e emoção da jovem Francesa quando o Tubarão calmamente e sem esforço se elevou do fundo e foi procurar novo local para repouso.
Simplesmente inesquecivel !


No mesmo local encontramos o cardume de Xaréus e Sargos e do grupo de quatro mergulhadores em que me integrava quase em simultaneo reparamos num enorme Xaréu que tenta dificilmente passar despercebido no meio dos outros peixes mais pequenos.
Reparamos que os seus movimentos, apesar do esforço, sobressaiem dos demais. Reparamos que metade do seu corpo tem uma nitida dentada de um tubarão, possivelmente Tubarão Anjo que lhe atravessa todo o corpo de ambos os lados e que da meia lua caracteristica da dentada até á cauda está muito mal tratado.
Certamente não sobreviveu a mais um ataque dos predadores…

Mergulho 5 - "Waikiki"



Este ultimo dia de mergulho seria passado na costa Este de Lanzarote, para conhecer os fundos de "Playa del Carmen" e fazer os mergulhos mais fundos.
O primeiro do dia seria em frente ao restaurante que dá nome ao spot : "Waikiki"
Os fundos nesta parte da ilha são muito diferentes da costa Sul. Geologicamente mais antigos e menos afectados pelas ultimas erupções são praticamente fundos de areia salpicadas de formações rochosas ou paredes quase verticais. Já existe alguma vegetação e as rochas têm esponjas variadas.
A viagem de Rubicon até ao spot demorou cerca de 30 minutos, mas valerá cada embate sentido na agua e todo o esforço de nos segurarmos ao flutuador.
O plano é descer em grupo, seguir uma planicie de areia nos 18 metros até terminar e descer a parede vertical em direcção a umas pequenas grutas na cota dos 32 metros. A lanterna é fundamental neste mergulho.
O guia de hoje será o Rich Timmis, com quem troquei alguns mails ainda em Portugal para obter informações sobre os melhores locais na ilha.


No fim da planicie e enquanto me entretinha a fotografar uma estrela no fundo, sou observado por um pequeno Mero, com cerca de 50 cm. Extremanente curioso, mas que não me deixou aproximar muito.
Rapidamente desapareceu no sentido contrário ao meu deslocamento.
A sensação de num momento termos o fundo ali a pouco mais de 2 ou 3 palmos e no momento seguinte esse fundo desaparece é ainda das melhores sensações que o mergulho pode oferecer. Temos sempre que inspirar mais fundo do regulador, como que a absorver a energia debitada pelo azul vindo das profundezas.


Ao longo da parede, alguns corais ondulam com a ligeira corrente que nos empurra no sentido pretendido. Chegamos a uma especie de varanda coberta de areia e um Mero apressa-se a desaparecer na gruta que se encontra na nossa frente.
A gruta dá para uma dupla de mergulhadores entrarem lado a lado. É o que fazemos, depois de ligar as lanternas.
Deparo-me com uma camara mais larga que a entrada de forma oval e com uma fractura a meio no sentido horizontal.


Essa fractura como que divide a gruta a meio, ficando a metade superior em algumas partes recuada dando lugar a uma especie de pequenas covas na parede.
O mais impressionante é que dentro da gruta contei pelo menos três Meros, todos de tamanho já consideravel, cada um ocupando um buraco distinto.
Havia mais mergulhadores a quererem entrar e não tinha já muito tempo para ver cada centimetro daquela gruta.
Saí junto com a Bego que me fez o sinal de "três !" com a mão a confirmar o que tinhamos visto.
Começamos a subida aproveitando a continuação da "varanda" e deparamo-nos com um grande Tubarão Anjo na borda do ressalto como que a olhar para o azul infinito.
Depois de algumas fotos ao tubarão, regresso atrás perto da gruta onde a buddy tinha ficado.
Vejo a Bego a nadar rapidamente na minha direcção e a chamar-me insistentemente, sendo literalmente "perseguida" no fundo por uma enorme Raia Negra.
Era este belo exemplar que me queria mostrar !!
Nitidamente em busca de alimento, agitando as enormes asas, perseguia tudo o que se encontrava no fundo de uma forma frenética, levantando sedimento por todo o lado e fazendo uma "má vizinhança" terrivel !!.
De repente inverte a sua direcção, continua a arrastar-se no fundo até chegar no limite do precipício e desaparece.
Ficará para sempre gravada na minha memória o encontro com este belo animal ! Tinha de envergadura cerca de 2 metros e para mim estas raias são sempre um misto de animal sinistro e maravilhoso.

Mergulho 6 - "Blue Hole"



Não se trata de um verdadeiro "Blue Hole" mas de uma formação semelhante a um gigante funil.
O topo está a 5 metros, o que será uma ajuda no final do mergulho, afundando até aos 18 metros, onde depois estreita para um tunel bastante amplo com uma saida no outro extremo na cota dos 32 metros.
O mergulho pode ser feito também em sentido inverso, talvez até faça mais sentido e com a ajuda de uma boa lanterna o tunel deverá ter muito que observar.
No caso, o guia optou por fazer a descida do tunel e depois a subida por fora contornado a formação até terminar no patamar supeior dos 5 metros.
Meros, Ratões, alguns a passarem no azul, Barracudas e Peixes Trombeta são encontrados facilmente.


Quanto a vida mais pequena, Nudibranquios, Aranhas do Mar e Vermes de Fogo são também muito abundantes.
Um mergulho muito original que deixou vontade de repetir, já que ficou muito para ver.


Terminavam assim os 6 mergulhos que agendei para esta bela ilha…
O regresso a Portugal estava para breve e deixar Lanzarote começava a aproximar-se rapidamente.
Ficará para sempre a saudade de quem partilhou comigo todas estas sensações, a recordação de pessoas que gostam de receber e fazem tudo por garantir que a passagem neste paraíso seja recordado por muito tempo.


O Mundo têm tanto para nos oferecer que é dificil afirmar que um dia regressarei a Lanzarote.
Mas uma coisa é certa : vale a pena cada minuto passado quer em terra, quer no mar !!