domingo, 19 de abril de 2009

Projecto de Lanterna Subaquática



A necessidade de uma boa iluminação quando se mergulha é algo fundamental e que faz toda a diferença para usufruir ao máximo qualquer imersão, quer a nível de prazer quer a nível de segurança.

Devido aos diferentes comprimentos de onda e á sua refracção na água, as cores que compõem a luz branca "desaparecem" á medida que aumenta a profundidade, começando nos vermelhos e laranjas e ficando por fim apenas a cor azul. Em profundidades elevadas por ausência de luz solar, passa a escuridão total.

Mesmo a pouca profundidade, a única forma de ver todo o esplendor de cores existentes é utilizar iluminação artificial, que, dependendo da temperatura de cor da iluminação utilizada, estará mais ou menos aproximada da cor observada á superfície.

A escolha de uma lanterna é algo que ultrapassa o simples logotipo de uma marca. Existem no mercado lanternas de muitos e variados tipos, não sendo muitas vezes linear que "o material caro e de marca conhecida é que é bom! ".

Qualquer mergulhador que queira escolher uma lanterna depara-se sempre com algumas variantes:
- Preço
- Modelo
- Tipo de iluminação
- Autonomia
- Fiabilidade
…para focar só alguns daqueles que considero importantes.

Preço

Existem lanternas dos mais variados preços. Entre 10 e 2000 € há para todas as bolsas. Claro está que as restantes condições estarão, muitas vezes, relacionadas com esta. O preço será sempre uma das condições a levar em linha de conta.

Modelo
De uma forma de avaliação simples, existem dois tipos principais: de Canister e "Compactas".
O modelo de Canister é composto por uma caixa estanque (onde está localizada a fonte de alimentação) e uma cabeça de iluminação, normalmente acopolada a uma pega e cuja ligação eléctrica entre a cabeça e a alimentação é feita através de cabo (umbilical).

As "Compactas", dependente do fabricante e seu modelo, têm num só corpo a alimentação e a lâmpada.


Tipo de iluminação

O tipo de iluminação mais comum são as lâmpadas de halogéneo. Com temperaturas de cor perto dos 3500º K produzem uma luz "amarelada". São lâmpadas robustas e fiáveis de preço acessível.

Há menos tempo no mercado, mas com cada vez maior procura, existem as HID. Produzem uma luz azulada muito clara e intensa de aprox. 4500º K, havendo modelos com temperaturas de cor que chegam aos 6500º K. São menos robustas que as lâmpadas de halogéneo, mas de grande fiabilidade. Além do preço elevado, funcionam com um circuito electrónico acopolado (balastro) que tem como função fornecer a corrente eléctrica necessária ao arranque da lâmpada e limitar essa corrente durante o seu funcionamento, não permitindo picos elevados que ocasionariam a sua avaria.

Por fim, a tecnologia de iluminação LED, que ultimamente sofreu uma aplicação massificada em todos os tipos de iluminação, veio trazer um conjunto enorme de mais valias na aplicação à iluminação subaquática. A temperatura de cor destas lâmpadas situa-se muito perto da luz solar ( cerca de 5250ºK ) com alguns modelos a atingir os 5600º K de temperatura de cor. Em conjunto com lentes de difusão de luz, são o tipo mais robusto e de baixo consumo energético para a iluminação produzida. Usada individualmente ou em conjuntos de LED produzem uma luz intensa, muito brilhante.

No entanto, apesar das maiores vantagens em relação aos outros tipos de iluminação, ainda têm elevados custos associados. Devido á temperatura de cor da sua luz a sua eficácia nota-se melhor de noite ou em locais pouco iluminados.


Autonomia

Depende sempre da potência da lâmpada e do tipo de alimentação utilizada. Também por uma questão ambiental, a utilização de baterias recarregáveis é fundamental.

Respeitando as instruções do fabricante e um bom carregador, temos baterias que duram muitas horas e ciclos de carregamento.

Em autonomia a iluminação LED é a que apresenta, na maior parte dos casos, um maior rendimento. Nalgumas marcas existem modelos HID que em comparação com um modelo equivalente LED, conseguem ter rendimento superior. Com o mesmo tipo de bateria e em lumens gerados equivalentes, os LED permitem autonomias superiores a 10 vezes as lâmpadas de halogéneo.

As HID, devido às suas características, têm também uma autonomia bastante elevada, ficando-se normalmente pelas 4 vezes a autonomia das lâmpadas de halogéneo, sendo que, como já referido, alguns modelos têm autonomias iguais ou mesmo superiores aos LED, chegando nestes casos quase ás 12 vezes, de autonomia superior, em comparação com as lampadas de halogéneo.

As lampadas de halogéneo, produzem maior quantidade de calor devido á sua ineficiência energética (só cerca de 20% da potencia consumida é convertida em luz) o que se traduz por autonomias de até um par de horas.


O início do projecto


Com todas estas considerações e variáveis, encontrar a "lanterna ideal" é uma tarefa difícil.
Para inicio deste projecto, ficou apenas definido o que pretendia.
A lanterna teria de ter um custo muito baixo, ser de "canister" devido a uma melhor funcionalidade, com a capacidade de ter durante o dia uma boa iluminação que permite distinguir pormenores principalmente em fendas, buracos e em imersões mais profundas e que de noite além de servir como meio de comunicação entre mergulhadores submersos, não servir para "fritar" os peixes ou os olhos dos companheiros, ficando-me por uma potência de 30 W, numa lâmpada de halogéneo.

A autonomia teria de ser duas a três vezes superior ao tempo normal de uma imersão, considerando uma duração média de 1 hora. Para a lâmpada escolhida, considerando os 2,5 Ah indicados nas especificações do fabricante, a bateria teria de ter uma capacidade de 5 a 7,5 Ah fornecendo os 12 V necessários.

Havia outras condições subjacentes a estas, tais como a robustez, fiabilidade e simplicidade no funcionamento.
Mais do que construir á primeira a minha "lanterna ideal", resolvi fazer um protótipo para por em prática os meus conhecimentos e aprender com a sua evolução.

Mais uma vez, a ajuda de amigos foi fundamental, ao ponto de não ser possível construir a lanterna sem a sua indispensável colaboração.


Materiais utilizados

Depois de definidas as características técnicas da lanterna pretendida, o segundo passo foi procurar pelos materiais necessários.

Com a fonte de alimentação perfeitamente conhecida, resolvi começar pelo "canister" que lhe daria alojamento.
Por sorte, através de um colega, consegui arranjar uma bateria “sealed lead acid” com as características pretendidas, o que me poupou algum trabalho, sabendo que para a utilização prevista não é o tipo ideal de bateria.

Com a variedade e tipos de baterias existentes actualmente no mercado, a escolha recaíria certamente nas baterias de "NiMH" devido ao espaço reduzido que ocupam e à grande capacidade de carga.

Assim, seguindo também um dos objectivos deste projecto, o preço dos materiais, optei pela bateria “Sealed Lead Acid” de 12V, 7Ah, dispensada pelo colega.

Trata-se de uma bateria que obriga a utilizar para seu alojamento um canister em PVC com 120 mm de diâmetro exterior, com parede de 10 mm que permite uma resistência á pressão de cerca de 10 bar, ou seja, 90 metros de profundidade. Mais do que suficiente, sem margem para dúvidas.

Com a aquisição do tubo em PVC e de uma placa de igual material para fazer a tampa inferior, o passo seguinte foi a execução da tampa, no torno mecânico para o diâmetro necessário, procedendo-se á sua colagem, através de soldadura química, na extremidade inferior do tubo.

Nessa tampa inferior, foram também abertas duas roscas M6 para montagem de dois pernos em inox, com 240 mm, que permitem a fixação da bateria dentro do canister.


Para a tampa superior, foi utilizado POM ( conhecido comercialmente pela marca DELRIN ), um tipo de PVC mais resistente e duro que permite um trabalho de máquina mais rigoroso, necessário para a abertura das duas camas para os o-rings mais os furos para a fixação do bucin e do interruptor.

Estava assim concluída a primeira fase da construção. O canister da lanterna ficaria pronto com a instalação dos quatro fechos em material inox.

Para a cabeça de iluminação, com lâmpada de halogéneo de 30 W, a solução passou por utilizar as já existentes no mercado, da marca Greenforce.

A opção deveu-se á qualidade do material usado pela Greenforce e pela funcionalidade que estas lanternas permitem. Com o mesmo sistema de canister pode ser alterada a iluminação utilizada para HID e LED, bastando para isso substituir apenas a cabeça de iluminação ( esta funcionalidade não é exclusiva da marca, é utilizada também por outras marcas no mercado ).

Tão ou mais importante que a lâmpada é o reflector utilizado, que no caso da cabeça de iluminação escolhida permite um ângulo de 24º.

Com todo o desenvolvimento feito pela Greenforce ao longo dos anos a opção de utilizar uma cabeça já construída pareceu-me ser a melhor opção. Permitiu-me poupar algum tempo na sua execução, garantindo também a utilização de um sistema já muito experimentado e com provas de boa qualidade.


Faltava agora ligar todo o conjunto através do cabo eléctrico e do sistema de ligação á cabeça de iluminação.
O cabo eléctrico escolhido além de específico para estar submerso em água salgada, tem de ser extra-flexível. De resto, electricamente é dimensionado para suportar a corrente e tensão de trabalho.

A classe dos bucin tem de ser IP68, que permite a submersão. O interruptor tem de ser perfeitamente estanque, do tipo "alavanca".

Para este tipo de montagem o interruptor é dispensável. O acender e apagar da iluminação pode ser feito pelo enroscar/desenroscar da cabeça, feito na peça de ligação que tem acoplada.


Escolhi, por uma questão de resistência mecânica do material e principalmente do desgaste provocado nos o-rings, não optar por esse sistema.
A peça de ligação permite o acoplamento da cabeça de iluminação, preparada com três o-rings, através do cabo eléctrico á bateria de alimentação.


Essa peça de ligação foi maquinada no torno mecanico especificamente para que esse acoplamento seja perfeito, em material igual ao da cabeça de iluminação.

Por dentro, foi colocada também uma peça específica feita em teflon, que efectua a ligação eléctrica entre o cabo e a cabeça de iluminação.


Cada um dos pólos da bateria tem dois cabos eléctricos ligados ao mesmo terminal. Um par de cabos de polaridades diferentes faz a ligação ao cabo da cabeça de iluminação, enquanto o outro par está ligado á ficha acoplada à tampa de fixação da bateria, através da qual é feito o carregamento da mesma.

Por fim, depois de todo este conjunto montado, foi fixo através de abraçadeiras inox, uma tira de fita de nylon dobrada nas extremidades que permitem a montagem de elos rápidos (quick link/maillon rapid) em inox, ou a montagem no cinto do arnês .

No primeiro tipo de montagem, os elos de inox são fixos á backplate do arnês de forma indirecta, ou seja, através de uma cordelete que permite em caso de necessidade cortar e desmontar rapidamente o canister.


Na montagem através do cinto do arnês, a presilha criada no intervalo entre as duas abraçadeiras de inox serve para colocar o canister no cinto, bem encostado á lateral e travado com uma fivela normal de um cinto de mergulho. Esta solução simplifica e permite uma fixação sólida e estável, sem utilização de mais nenhum tipo de acessórios.


Para finalizar, foi montado a protecção do interruptor através de uma peça maquinada em PVC que permite também a montagem de uma peça de borracha ( sealing boot ) que além de proteger o veio do interruptor, garante a sua estanquecidade. A fixação desse protector de PVC é feita por quatro parafusos em inox que apertam em roscas feitas na tampa do canister.

Foi montada a pega “Goodman” feita de alumínio e um mosquetão para permitir a fixação ao d-ring do arnês.

Finalmente a lanterna estava pronta para ser testada na água !


Lista de materiais utilizados e suas especificações

No quadro está a lista de todos os materiais utilizados neste projecto.
No campo de “Observações”, está indicado o nome onde foi adquirido o material, nas “Dimensões” e no caso de não ser material normalizado, deixo o respectivo código de referência.


Funcionamento

Nada mais simples !
O canister tem de ser aberto sempre que se carrega a bateria, ligando o carregador na ficha instalada para esse efeito.
Após a carga, verificar sempre o estado dos o-rings, lubrificar e/ou substituir se necessário.
Colocar a tampa e fechar os fechos. Como segurança, uma tira de simples câmara-de-ar é colocada por cima dos fechos, garantindo que devido a qualquer pancada ou movimento nenhum dos fechos abra acidentalmente.

O protector do interruptor está marcado, através de um entalhe qual a posição que liga a iluminação. O lado contrário, obviamente, desliga.

O canister é fixo á backplate através dos elos rápidos, ou colocado no cinto, como descrito anteriormente. Verificar antes de mergulhar se estão bem fechados e se o canister está bem fixo, sem oscilar em demasia.

Quando a iluminação não é necessária, o mosquetão serve para prender a cabeça de iluminação a um dos d-rings do arnês.
Sempre que se pretende utilizar a iluminação, a pega “Goodman” é colocada nas costas da mão, permitindo iluminar o objectivo ou caminho, ficando a palma da mão e os dedos disponíveis para outra função (por exemplo: desenrolar um carreto guia).

No final do mergulho, lavar todo o conjunto em agua doce, deixando-o imerso algum tempo de forma a libertar os possíveis cristais de sal. Abrir a tampa do canister de forma a libertar algum gás que a reacção química da bateria produz e permitir, também, o arrefecimento da bateria.

Verificar antes de cada imersão todo o conjunto e ocasionalmente o estado dos o-rings da tampa do canister, da cabeça de iluminação e do sealing boot do interruptor. Se apresentarem sinais de desgaste, substituir.


Testes efectuados

Os primeiros testes foram feitos colocando o conjunto dentro de um balde com água, servindo apenas para garantir e verificar a estanquicidade de todo o conjunto.

Depois foi verificar quanto tempo a bateria demora a carregar na totalidade e por fim qual a autonomia real. Os tempos reais verificados estão indicados no quadro.

Os testes finais foram feitos no mar. Aproveitei alguns mergulhos para equilibrar todo o conjunto.
A ideia é que o canister seja, fundamentalmente, o mais neutro possível quando imerso. O resultado final está indicado também no quadro.

Por fim o último teste. Mergulho a 29 metros, com 38 minutos de fundo, permitiu verificar a estanquecidade sobre maior pressão e as reais potencialidades da iluminação.

Durante a realização destes testes foram feitos alguns ajustes ao nível da fixação do canister ao arnês, utilizando os dois sistemas descritos, procurando a flutuabilidade ideal, o melhor conforto possível e assim optar pelo que considerei mais adequado.

O sistema que optei é colocar o canister no cinto do arnês , porque permite uma fixação sólida e simples, sem utilizar mais nenhum acessório á excepção do fecho de cinto. Permite também, caso seja necessário, a retirada do canister sem grande dificuldade.

A fixação ao backplate de forma indirecta e como descrita acima provoca alguma oscilação que incomoda o mergulho, o equilibrio e estabilidade. As dimensões do canister, para este tipo de fixação não ajudam .


Upgrades e melhoramentos. Versão 1.0

Ainda este modelo não estava concluído e pensava já nos upgrades que podia fazer.
O primeiro é a alteração do canister. O objectivo é conseguir a mesma carga da bateria reduzindo pelo menos o diâmetro para metade.

A substituição da bateria por um conjunto de baterias de "NiMH" permitirá essa redução no tamanho.

Para o conjunto ficar perfeito, bastará também a troca do material da tampa superior por acrílico usando um sistema de o-ring estático único e um sistema diferente de entalhe da tampa.

Na cabeça de iluminação, bastará adquirir o modelo HID e/ou LED e proceder á sua troca, desmontando o modelo de halogéneo e montando outro modelo sempre ou quando as condições o aconselham.

Por forma a equilibrar o conjunto da cabeça de iluminação, o mesmo tem de ser envolto em neoprene, visto ter uma flutuabilidade demasiado negativa e oferecer algum esforço na mão para o elevar. No final de uma imersão longa é possivel algum cansaço devido a esse esforço.

A utilização de fechos com sistema de travamento, disponíveis por exemplo através de fornecedores como a Salvo, resolve, sem mais, o problema de uma abertura acidental e eliminam a utilização da tira de câmara-de-ar.


Agradecimentos

Como é óbvio, um projecto destes não é possível realizar sem o contributo de amigos e colegas.
As ajudas, neste caso foram imprescindíveis e nunca seria possível chegar ao fim com sucesso sem essa contribuição.
A todos os que ajudaram, o meu mais profundo agradecimento.
Ao João Toco, amigo e buddy de mergulho, um agradecimento especial. Colocou os seus conhecimentos e experiencia profissional na produção de todas as peças maquinadas. A sua intervenção no torno mecânico, além de ter sido feita com uma perfeição e qualidade excepcional, fez com que dedicasse muito do seu tempo a este projecto. Foi a sua dedicação que tornou possivel a conclusão com sucesso deste projecto.

Ao Miguel Lopes, que durante uma troca de emails onde se combinava mais um mergulho, decidiu dar uma ajuda, rever um texto escrito muitas vezes sem muito tempo, com as inevitáveis correcções e erros crassos. Algumas das ideias apresentadas nessa revisão melhoraram muito o resultado final assim como a aplicabilidade de muitas delas.

Ao pessoal que participou no primeiro mergulho de teste na Extremedive de Cascais ( Francisco Macedo, José Ladeira, Pedro Cunha, José Carvalho, Isabel e Paulo Carmo ) obrigado pelas várias sugestões para “baptizar” a lanterna.

As opções foram tantas que optei pela “LPC Ligths” *

A todos , Muito Obrigado !!!

Vou usufruir da "minha" lanterna. Um dia, talvez encontre a "lanterna ideal".
Agora... vou mergulhar…!!!






sábado, 11 de abril de 2009

Condições boas de mar e metereológicas...precisam-se !!


Novo mergulho em Sesimbra com a Best Dive.
A ideia era efectuar o mergulho no naufrágio do "River Gurara".
Infelizmente , o mar alterado pela força do vento forte e gelado deitaram por terra as nossas expectativas.
Qualquer spot que estivesse desprotegido ou sob influencia do vento Norte era para esquecer...
Acabámos por efectuar um mergulho de recurso na "Baleeira".
No fundo, a visibilidade não ultrapassava os 3 ou 4 metros com alguma fola e 13º C de temperatura, agravado depois na superficie pelo vento gelado a cortar a pele da cara e das mãos.
Tendo como companheiros de mergulho o José Ladeira e o Pedro Cunha, os três, auto-chamados de "clube poseidon" ( são os reguladores usados pelos três ! ) fizemos o mergulho com 68 minutos de fundo.


A vida encontrada não surpreendeu nem pela quantidade nem pela diversidade.
Á excepção de um "polvo-ladrão" que atacou literalmente a camara fotografica do "Almirante" Ladeira, pouco mais houve para registar.
No meu caso serviu para continuar as experiencias com o "brinquedo".
Desta vez, já com o adaptador de lentes e com uma lente wide angle de 20 mm e sem o flash externo.
Fica o "best of" de mais um mergulho á espera de melhores dias... Já é tempo de aparecerem !








quinta-feira, 2 de abril de 2009

Ajudar divulgando !! As tartarugas e o Planeta agradeçem.

Fica aqui o link para ajudar na divulgação de um projecto muito interessante, tanto nos objectivos como na forma como pretende ser implementado.



Tartarugas em S.Tomé e Principe - Património Natural da Humanidade


Da minha parte, estou com ideias de ir vasculhar no fundo da arrecadação e ver se encontro algum equipamento antigo ou que já não preciso e contribuir enviando também para S.Tomé e Principe.

Vou acompanhar o desenrolar deste projecto com muito interesse.
Sinceramente, gostaria que os resultados fossem muito positivos.
Além da preservação ambiental e do salvamento da extinção das tartarugas locais será também interesante verificar que ainda, em alguns locais reconditos deste Planeta, a "Palavra de Honra" dada por quem mais nada têm é tão forte ou mais que todo o dinheiro do mundo.

Votos de sucesso !

P.S. - Infelizmente não tenho nenhuma foto para ilustrar...ainda me falta esse "cromo" na caderneta. Pela velocidade a que o Homem tem levado estes lindos animais á extinção, vamos ver se não fico com a caderneta para sempre em branco...

quarta-feira, 25 de março de 2009

Mais fotos de Patas-Roxas...

Desta vez dos amigos e companheiros de mergulho, João Toco e José Ladeira.





domingo, 22 de março de 2009

Cascais. Finalmente as Patas-Roxas !!


A manhã acordou enevoada do lado Norte da Serra de Sintra.
O mergulho tinha ficado combinado no final da semana e depois de algumas "negociações" e alternativas optámos por Cascais.
O Francisco da ExtremeDive tinha enviado a newsletter semanal a informar que o spot seria no Emissário da Guia, local onde de alguns meses para cá, tem sido muito frequente avistar cardumes de Corvinas a "meia agua" e as Pata-Roxas no fundo.


Chegámos todos cedo ao Centro de Mergulho e ao contrário do tempo que tinha ao sair de casa, Cascais estava com um sol timido de inicio de Primavera e algum vento, que causava um pouco de agitação no mar.
O grupo composto por seis mergulhadores deixava bastante espaço no barco.
Ás dez horas estava tudo pronto para largar ferro.
A viagem é rápida, o local encontrado com facilidade, bastava equipar e descer.
Na frente do grupo segue a dupla Zé Ladeira e João Toco, seguidos pela outra dupla e por fim a fechar o grupo sigo eu e o Paulo Carmo.
A corrente que á superficie se faz sentir com devido ao vento, vai desaparecendo á medida que descemos.


O fundo está a 27 metros e a visibilidade não sendo espectacular ( entre os 3 a 5 metros ), também não é nada a que já não estejamos habituados.
A estrutura composta pela caixa do emissário tem cerca de 5 metros cubicos, com tubos de grandes dimensões a ramificarem-se em duas direcções a partir da caixa, em forma de Y.
A zona com maior variedade e diversidade de vida encontra-se no espaço compreendido pelos dois braços do Y e junto ao fundo, nos vários enrocamentos feitos para suporte e apoio das flanges das tubagens.
De grandes safios a lavagantes, cardumes de fanecas, navalheiras e santolas, abroteas e moreias encontram nesta estrutura um pouco surreal abrigo e alimento para se fixarem neste espaço.
Seguindo as indicações dadas no brefing, teriamos de ter atenção também á coluna de agua por cima das nossas cabeças na eventualidade de avistar os cardumes de corvinas.
Infelizmente, ninguem do grupo avistou nada.


Já a outra especie que têm sido o ex-libris do local, as Patas-Roxas ( Scyliorhinus canicula ) resolveu mostrar-se, deixar-se fotografar e cativar-nos com a sua graciosidade e beleza.
São extremamente calmos durante o dia, permitindo aproximações sem qualquer problema.
Da familia dos tubarões, alimentam-se de moluscos e crustaceos durante a noite e de forma individual, escolhendo o dia para repousar nos fundos de areia, normalmente em pequenos grupos.
Escolhem a Primavera para acasalamento, sendo a altura do ano em que se podem encontrar machos e femeas no mesmo grupo.
Reproduzem-se por um unico ovo que depositam em aguas calmas e costeiras, servindo os fortes filamentos como ancoras para fixar quer a algas quer a pedras.
Ao fim de nove meses, eclodem completamente formados e independentes os pequenos tubarões com cerca de 10 cm.
Extremamente ageis e flexiveis, possuem também uma defesa natural composta pela existencia na sua pele semelhante a lixa de uns espinhos que os tornam pouco apetitosos para os eventuais predadores.
Atingem a idade adulta ao fim de 3 anos e têm uma longevidade aproximada de 12 anos. O seu comprimento pode atingir 1 metro.
São vitimas, tais como todas as especies, de pesca excessiva que faz diminuir o numero de individuos. Como a sua reprodução é demorada a especie não consegue recuperar levando a que cada vez se avistem menos destes extraordinários animais.
Cabe-nos a nós todos, como amantes do mar e dos seus habitantes, preservar e manter a diversidade da sua vida.


No local onde mergulhei, pelo numero e vezes que são avistados Patas-Roxas pensa-se que sejam residentes, que encontraram ali um local que consideram ideal.
Pelas suas caracteristicas, muitos mergulhadores têm tendencia a interagir com os doceis animais, pegando-lhes, acariciando-os e perturbando o seu repouso. Sei que muitas vezes é quase impossivel resistir a tão belos animais, mas temos que respeitar o seu espaço e fazer todos os esforços para não lhes provocar stress.
Está nas nossas mãos ajudar a manter este local !!

domingo, 15 de março de 2009

Hoje foi dia de mergulho !!!

Sesimbra, "Jardim das Gorgónias"
Mar "chão" e dia de sol radiante.
Centro de Mergulho : Anthia Diving Center
Buddy : João Toco
Temperatura da água : 13º C
Visibilidade : 2 a 3 metros, com muita suspensão em "verde".
Tempo de fundo : 68 minutos
Profundidade máxima : 14 metros

Alguns dos "bonecos" :











segunda-feira, 2 de março de 2009


Foram relembrados este fim de semana em Sesimbra os 20 anos do naufrágio do "River Gurara" no Cabo Espichel.
As iniciativas contaram com uma exposição, visionamento de documentários e uma palestra no Sabado á noite sobre o que se passou naquela fatidica noite de 26 de Fevereiro de 1989.
Como tributo ás vitimas daquela noite, foi colocado no Sabado de manhã uma placa evocativa, no destroço na zona da popa junto á hélice.



No Sabado juntei-me a alguns companheiros de mergulho e participámos nesta excelente inicativa, mergulhando na zona da popa.
Pelos registos do meu logbook deve ter sido o meu vigésimo mergulho no naufrágio.
Não foi o melhor mergulho feito no local. O mar estava calmo e as correntes no fundo só se fizeram sentir na parte final do mergulho, provocado pela mudança de maré.
A visibilidade de 5 metros era prejudicada pela existencia de suspensão, a surgir em maior abundancia nos primeiros metros da coluna de agua.
A vida marinha habitual de polvos, safios, grandes sargos veados, rascassos, brindou os mergulhadores com a sua presença.

Mas estavamos todos ali com outro objectivo…
O lembrar da tragédia, das vitimas e dos herois daquela noite.
Já há muito tempo que conheço a história do River, muito por culpa do mergulho, mas na minha memória não me recordo de nada sobre alguma noticia do dia do seu afundamento.
Ou seja, o conhecimento que tive da história do que sucedeu foi sempre através de documentos mais ou menos impessoais, sem grande carga sentimental.
Talvez por isso resolvi também no final do dia assistir á palestra organizada no Auditório Conde Ferreira e que contou com os principais responsaveis, intervenientes no auxilio das vitimas daquela noite.
O primeiro interveniente foi o Almirante Mota e Silva, comandante da fragata Hermenegildo Capelo, primeiro a chegar ao local e a tentar prestar a melhor ajuda possivel naquelas condições, ainda o barco se encontrava a algumas milhas ao largo.
De seguida o Coronel Artur Cruz, comandante do helicopetero Puma da FAP, que chegou ao Cabo Espichel ao raiar do dia, relembrou a sua experiencia na operação de salvamento.


Foto: Agencia Lusa, 26/02/1989

Mesmo passados vinte anos a emoção e sentimentos das intervenções dos dois principais convidados demonstraram de forma bem visivel que ainda hoje é um assunto a que não ficam indiferentes.
A perda de vidas, a impotencia de prestar auxilio devido ás péssimas condições metereológicas, o grande dilema de arriscar tudo pondo em risco também a própria vida e a vida das suas tripulações fazem de todos os que participaram na operação de salvamento os heróis dessa noite, conseguindo salvar um dos botes com 24 pessoas que se debateram a remos com ventos de 100 Km/h e vagas de 5 metros.
Pela manhã o helicopetero salvou mais um dos poucos sobreviventes que se agarravam á vida nos poucos destroços ainda não afundados do cargueiro. A operação de salvamento do helicopetero só não terminou com a possivel perda de mais uma vida, no caso o mergulhador de resgate, por intervenção do Comandante do "River Gurara", depois do cabo do guincho do helicopetero ter ficado preso nos restos do navio.
Após ter ajudado o mergulhador-recuperador que na tentativa de salvar as vidas dos tripulantes ainda resistentes fracturou uma perna, foi varrido por uma onda e desapareceu nas aguas tempestuosas do Cabo Espichel.
O drama foi também assistido de terra e relatado na primeira pessoa pelo actual comandante dos bombeiros de Sesimbra e pelo Director do jornal SemMais, que na altura se deslocaram ao alto do Cabo Espichel para assistirem também á enorme tragédia que decorria á frente dos seus olhos.


Desenho : João Sá Pinto

É considerada a pior tragédia maritima, ocorrida em aguas Portuguesas nos ultimos vinte anos.
Pessoalmente, a forma de ver o actual destroço do "River Gurara" mudou. Continuarei certamente a mergulhar no local, mas mais importante que encontrar as especies marinhas que actualmente povoam os destroços, será a memória dos acontecimentos que prevalecerá.
Uma especie de santuário onde se presta homenagem aos mortos e principalmente aos heróis que evitaram uma tragédia maior.





"Quem vai para o mar...avia-se em terra !! "

Na parte final das palestras falou-se de segurança e prevenção quando se embarca para o mar.
Os cuidados que devemos ter, o planeamento e as informações necessárias.
Estes temas foram falados pelo Sr. Comandante do Porto de Sesimbra e pelo responsavel da Protecção Civil de Sesimbra.

Falou-se novamente da situação inadmisivel em que se encontram as escadas de acesso ás embarcações no Porto de Pesca de Sesimbra, da não utilização do cais de embarque para os possuidores de MT devido á sua desajustada operacionalidade.
Infelizmente ninguem da APSS esteve presente para se discutir mais sobre o assunto.

Sesimbra tem grandes aspirações com a divulgação e promoção do mergulho. A autarquia fala "de boca cheia" que Sesimbra pretende ser a Capital do Mergulho.
Quando se fala em segurança no mar, que obviamente começa em terra e quando se apresentam as condições actuais das escadas para mergulhadores recreativos e profissionais da nautica e da pesca, sem uma rápida resolução, as justificações e as intenções soam sempre a mediatismo hipócrita.

Neste assunto das escadas todos são culpados. Dos utilizadores ( falando agora só dos mergulhadores, que pagam um mau serviço prestado ), aos operadores de mergulho que não podem utilizar as escadas pondo em risco a integridade fisica dos seus clientes, havendo uma solução não funcional mas que discutida com a APSS certamente se encontrava uma resposta, á propria APSS, autarquia e responsaveis pela garantia das minimas condições de segurança de um equipamento que todos sabem ser de utilização pública.
A solução a meu ver é simples : como mergulhadores, apenas efectuar saidas com Centros de Mergulho que garantam a segurança da integridade fisica dos Clientes. Há Centros em Sesimbra que não utilizam as escadas !! Acredito que rapidamente os outros Centros procuravam alternativas e pressionavam a APSS para resolução rápida do problema.
O silencio e a conivencia dos Centros de Mergulho é também no minimo estranha. No cais de utilização para possuidores de MT está afixada uma lista com todos os autorizados.
Ainda não me dei ao trabalho de consultar a referida lista…mas espero encontrar lá indicados todos os Centros de Mergulho que efectuam saidas em Sesimbra.

No Sabado de manhã, mais um companheiro que pretendia apenas participar e contribuir com a sua presença no evento, sofreu uma violenta queda quando escorregou num dos degraus e a garrafa lhe caiu em cima da mão ferindo-o e levando-o ao Hospital Garcia da Horta.