quinta-feira, 18 de junho de 2009

Liveaboard em Portugal !!

Rota dos Naufrágios no Barlavento Algarvio

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Fala-se em Liveaboard e o que nos vêm logo á ideia são as fantásticas experiências em águas quentes, de visibilidades infinitas e climas tórridos…
Talvez porque se trata muitas vezes de uma industria de turismo bem estruturada e montada e porque nós, no nosso território Continental, banhados pelo Atlântico sofremos de graves défices de temperatura e de visibilidades capazes de desmoralizar o mais irredutível mergulhador, naturalmente procuramos essas paragens como locais para usufruir de uns belos e merecidos mergulhos.
Confesso que não sou ( ainda !! ) adepto de procurar alguns desses locais de mergulho massificado, mas reconheço as suas qualidades obvias e o estatuto merecido de "meca do mergulho".

Em Portugal a ideia de realizar Liveaboard nas nossas águas não é novidade. A novidade é ter uma estrutura completa e preparada para oferecer ao mercado esse serviço sempre que seja solicitado e de um forma constante.

Tenho acompanhado com alguma expectativa o desenvolvimento do projecto Subnauta em Portimão.
O primeiro contacto, através das revistas e de "conversas de café", depois através de eventos em que participei e que tinham como parceiro a Subnauta, a expectativa tornou-se numa vontade em conhecer o Centro de Mergulho e os serviços oferecidos.

Surgiu a oportunidade de uma forma surpreendente.
Através de convite da Subnauta, pelo seu admnistrador, Luis Sá Couto, a convidar-me para participar na viagem inaugural do catamarã Xu-Nauta, construído de propósito para a realização de Liveaboards nas aguas do Algarve.
A rota seria a dos naufrágios do Barlavento Algarvio !!

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Ficaram agendados cinco mergulhos. Três para o primeiro dia e dois para o segundo.
A Subnauta disponibilizou um caderno de informações, com todas as questões relacionadas com os dias a bordo e os mergulhos. Da segurança ao plano de emergência a bordo, da descrição dos spots de mergulho ao pormenor dos desenhos e informações relevantes, tudo foi ali disponibilizado para que cada mergulhador tivesse o máximo de informação.

Quanto a equipamento, foi disponibilizado a todos os mergulhadores conjuntos completos, tal como é habitual nas saidas normais do Centro, incluíndo garrafas de 12 lts @ 200 bar com a filosofia ANDI "Safe air", estando disponivel a bordo enchimentos ar, EANx e trimix, dependendo apenas da certificação de cada mergulhador.

Bem vindo a bordo !!

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Fui o ultimo passageiro a chegar. Depois de uma semana de trabalho, 4 horas de viagem num final de dia de trabalho e 300 km de estrada são remédio para qualquer insónia ou dificuldade em dormir.
Á chegada fui muito bem recebido pelo Pedro Caleja e Rui Mariano, que ajudaram a transportar as malas para bordo.
Apresentaram-me o barco e a minha cabine, deixando as restantes explicações para mais tarde após chegada do Luis Sá Couto, acompanhado pelos restantes passageiros e companheiros de viagem.

Estava assim reunida toda a tripulação e passageiros. Era hora de efectuar o primeiro briefing, explicando o funcionamento, regras e o plano da viagem. Tudo muito bem documentado e explicado.

A noite a bordo foi calma e o descanso reconfortante.

Primeiro mergulho : naufrágio do "Wilhelm Krag"

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Saímos da marina de Portimão ainda não eram 7h30 de uma manhã encoberta e algo fria.
O mar na saida do Rio Arade apresentava-se completamente "chão" o que deixava antever uma viagem calma.
O naufrágio do "Wilhem Krag" está a cerca de 12 milhas e 90 minutos de viagem, sendo para mim um local em estreia. Das ultimas vezes que tinha mergulhado no Algarve, este naufrágio tinha ficado de fora das opções.
Recebemos ordens para subir ao deck superior onde o espaço está preparado para os briefings de mergulho.
O João Pedro Freire, ajudado pelo desenho do Sá Pinto explica-nos de forma clara e detalhada todo o plano de mergulho. Onde descemos, por onde nos deslocamos e os procedimentos a ter durante a imersão.
As duplas de mergulho são também definidas : João P. Freire ( guia ) - Miguel Helfrich, Jorge Marques - Fernando Borges, Pedro Araujo - Pedro Tomás
Apenas naquele momento reparo que, dos passageiros-mergulhadores a bordo, sou o mais novo em idade e com a menor experiencia de mergulho…É definitivamente um privilégio estar a bordo !
A shot line é preparada enquanto nos equipamos para mergulhar.
Já equipados, aguardamos autorização de cair na agua, nadar até á boia e, todos juntos iniciar a descida.
A descida é feita rápidamente. Na frente o nosso guia, restantes elementos, lado a lado a seguir o caminho indicado.
Estamos agora a 34 metros, junto aos destroços do velho cargueiro de quase 100 metros, afundado em 24 de Abril de 1917 pelo submarino alemão U-35.
No meio de chapas corroídas e torcidas dirigimo-nos aos restos do que foi outrora as caldeiras do navio. Espreito com atenção para dentro de todos os buracos, á espera de encontrar os habituais grandes safios que normalmente habitam estes destroços.
Em vez disso deparo-me com um cardume de Anthias, que exibem as suas cores e as grandes barbatanas que mais parecem fitas de seda avermelhada. É um cardume consideravel aquele que desfila na nossa frente !!
Subo um pouco para ter uma perspectiva mais abrangente de todo o local e aproveitar a boa visibilidade ( cerca de 8 metros ). A agua no fundo está completamente parada. A sensação de ausência de gravidade é absolutamente incrível !!

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O naufrágio tem um tamanho consideravel para conseguir ser visto apenas num mergulho. Não só o tamanho mas o tempo de fundo não descompressivo mesmo com nitrox passa a correr e tal como iniciámos o mergulho, em conjunto, terminamos e iniciamos a subida lentamente até á superficie.
Estava assim terminado o primeiro e espectacular mergulho no "Wkrag".
Conto voltar em breve ao local...com mais tempo de fundo e equipado com a máquina fotográfica...


Segundo mergulho : naufrágio do "Ocean"

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Após o primeiro mergulho, todos aproveitaram o tempo para descansar, conversar e repor energias com um belo lanche servido a bordo, preparado pelo "Chef" Pedro Caleja.
O tempo entre termos iniciado o primeiro mergulho e o regresso á superficie altera-se significativamente. O céu fecha-se de vez e ameaça chover, levanta-se vento e o mar altera o seu estado.
Dirigimo-nos para o local onde desde 1759 jaz no fundo a cerca de 9 metros de profundidade o navio almirante da Esquadra Francesa da Guerra dos Sete Anos, afundado pelos barcos Ingleses que perseguiram o "Ocean" e o "Redoutable", os unicos barcos a escapar á furia dos canhões Ingleses de uma frota composta por 14 barcos.


O "Ocean" encontra o seu fim em frente á Praia da Luz e o "Redoutable" junto á praia da Salema.
A viagem demora cerca de 1 hora, agora mais agitada e fustigada pelas ondas.
Pouco antes de chegar ao local, preparamo-nos para novo mergulho. Desta vez o briefing é dado pelo Pedro Caleja, que nos explica em detalhe o que podemos ver em cada uma das 8 estações arqueológicas que se encontram no fundo, ligadas por um cabo guia.
Cada estação no fundo, têm uma placa explicativa dos achados arqueológicos que podemos ver nesse local. A Subnauta através de protocolo com a DANS ficou com a responsbilidade de preservação, conservação e manutenção do local.

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Com a participação neste mergulho da Susana Catita, há a necessidade de ajustar as duplas de mergulho. Como pretendo fazer algumas fotos é decidido juntar os dois mergulhadores com equipamento fotográfico a bordo. Passo então a ter como buddy o Miguel Helfrich e o Pedro Araujo a mergulhar com a Susana. Os restantes três elementos formam um grupo, sendo na mesma a tarefa de guia de mergulho atribuida ao João Pedro Freire.
O local perto da costa não ajuda na estabilização do barco. O mar está agora com vaga levantada a vento.




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Depois de equipado só me apetece sair daquele deck rápidamente !
Encontro-me com o restante grupo na boia e iniciamos a descida.
A primeira sensação, mesmo antes de começar a reconhecer os destroços significativos do "Ocean", é a de entrada num aquário com vários cardumes de peixes juvenis a passarem em todas as direcções, a abrigarem-se por entre os restos de ferros, ancoras, canhões de bronze e demais artefactos ali na nossa frente.
A união entre as várias estações por fio facilitam bastante a deslocação entre elas e apesar da visibilidade não ser muito má ( 10 metros ) provavelmente para quem não conhece bem o local acabaria por se perder nas deslocações entre os vários locais.
Fico impressionado pelo tamanho da ancora de miséricordia com 5 metros de comprimento, pelo enorme canhão de ferro que jaz direito no fundo, pelo diametro impressionante do olhal que está em posição vertical e por se reconhecer perfeitamente os pormenores do cadernal que se encontra junto.
Em conjunto com a visita á pouco tempo ao antigo CNANS, onde ainda estão alguns dos canhões em bronze recuperados no final da decada de 80 e cujas bocas se encontram completamente derretidas devido ao calor do intenso incendio que o barco sofreu no final do combate com os navios Ingleses, é o segundo capitulo para conhecer a história deste que certamente seria um imponente e espectacular galeão.
Foi sem dúvida um mergulho bastante interessante.Conseguimos sentir toda a história de uma maneira muito diferente apenas por estarmos perto de algo que permanece no fundo do oceano á 250 anos.


Estava na hora de terminar o segundo e infelizmente ultimo mergulho do dia. Ao chegarmos á superficie não dava para reconhecer o local que tinhamos deixado uma hora antes.
O mar estava completamente agitado, com forte ondulação, alguma chuva e vento completavam o cenário.

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O terceiro mergulho agendado para as Ilhas do Martinhal em Sagres estava definitivamente cancelado.
Restava-nos viajar até Sagres e ancorar o barco na Baleeira para passarmos a noite no Porto de Abrigo.
Nessa noite, depois de um jantar em terra, o corpo cansado e moído pedia por descanso. Faltava mais um dia e dois mergulhos, antes de regressarmos novamente a Portimão.

Terceiro mergulho : o regresso ao "Torvore"


Alvorada ás 7h00 da manhã !! Ao chegar ao deck já o pequeno almoço está impecavelmente preparado para ser servido.
A grande duvida ao acordar era como estaria o estado do mar nessa manhã…
Por incrivel que pareça, o mar está completamente parado. Parece que tanto o vento como a força das ondas foram também descansar depois de uma noite agitada e que, por ser ainda de madrugada (!!) não tinham ainda começado o seu "castigo".
Isto deixava-nos uma possibilidade de viajar as 2,5 milhas em direcção ao local onde no mesmo dia do "Wkrag", o mesmo submarino alemão afundou em locais distintos o "Torvore" e o "Nordsoen".
Tinha visitado o "Torvore" em final de 2007, com um grupo de amigos também num fim de semana incrivel e inesquecivel de "overdoses" de nitrogénio.
A vontade de voltar outra vez tinha ficado definida nesse mesmo mergulho. Da primeira vez tinha ficado fascinado pelo naufrágio, por aquilo que se vê ainda após tantos anos no fundo.
A caldeira lá estava, imponente e salpicada pelas cores vivas das Anthias do cardume residente, a parte ainda em pé da superestrutura coberta pelas redes de pesca abandonadas a fazer lembrar as velas, que desta vez não oscilavam, porque não havia qualquer especie de corrente, os blocos de carvão prensados que faziam parte da carga do barco ainda repousam no porão.
Na popa encontramos dois Mola-mola com ar intrigado por perturbarmos o seu espaço. Ficamos ali por algum tempo a ver o deslizar sem esforço de tão peculiares peixes.
No regresso ao cabo, passamos novamente pelas caldeiras, desta vez pelo lado de bombordo. Está na hora de iniciar a subida para a superficie e dar por terminado o melhor mergulho de 2009.
A visibilidade estava fantástica. Cerca de 15 metros na horizontal, sem suspensão, sem corrente e 14º de temperatura.
O meu buddy informa o João Pedro e iniciamos a subida. Aos 14 metros, cerca de metade da profundidade máxima ainda é perceptivel o naufrágio e o evoluir dos companheiros que ficaram no fundo, com uma nitidez que surpreende.
Subimos para bordo fascinados com o mergulho acabado de realizar !

O ultimo mergulho será também cancelado devido ás condições de mar se alterarem significativamente. Qualquer mergulho junto á costa está fora de questão.
Resta-nos a viagem de regresso a Portimão, onde faremos a ultima refeição a bordo e o balanço da viagem.

Apesar das condições metereologicas não terem sido as ideais obrigando a cancelar dois dos mergulhos planeados, os que foram feitos ficarão na memória, assim como todo o fim de semana.
Quanto ao barco, a sua autonomia e equipamento permite-lhe fazer este tipo de viagens em completa segurança e conforto, mesmo até para spots muito mais longe como por exemplo os picos submersos do Gorringe, Ormonde e Gettysburg
Todo o profissionalismo, experiencia e serviço prestado da equipa Subnauta é do melhor que existe em Portugal.
Depois de no ano passado ter ficado surpreendido com as condições e serviços do Centro de Mergulho, que para o mercado Português era algo que não existia, a disponibilidade deste barco e da possibilidade de efectuar Liveaboard como um serviço regular, vem ainda mais aumentar a fasquia da qualidade dos serviços prestados.
Como é obvio, o alvo não é certamente o mergulhador Português. As condições e spots da costa Algarvia são ideais para promover o turismo de mergulho a paises como a Inglaterra, Alemanha ou paises do Norte da Europa.

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Quanto a mim, pretendo voltar um dia e repetir a experiencia, seja nos mesmos spots ou em outros locais entretanto visitados...ou quem sabe até um pouco mais Sudoeste do Cabo de S. Vicente…!!!
Muita sorte para toda a equipa Subnauta. Votos de sucesso para este projecto muito ambicioso !!!

sexta-feira, 5 de junho de 2009

O mundo é a nossa casa.

Estreou hoje á noite na RTP 2 um excelente documentário sobre o Planeta Terra.

Pela programação anunciada, vão repetir novamente neste Domingo á noite.

Foi dos melhores programas que ultimamente assisti na televisão Portuguesa.
Filmado de forma muito original, com imagens absolutamente arrebatadoras, o documentário foca de forma bastante directa e objectiva os problemas ambientais, suas causas e consequências.

Basicamente o nosso falhanço enquanto humanidade, os modelos das nossas sociedades em que esgotámos todos os recursos disponiveis.

Muito mais do que a "mensagem da desgraça" ultimamente levada á exaustão é a forma como são apresentados os problemas reais a que ninguém pode ficar indiferente.
As imagens espectaculares reforçam e de que maneira o efeito da mensagem.

No final, são também apresentadas algumas das soluções que rapidamente têm de ser postas em prática, se queremos deixar como herança um Planeta melhor do que aquele que nos deixaram e que muito pouco fizemos para o preservar.

Deixa-nos a pensar o que será o futuro...e se realmente enquanto especie merecemos existir...

Obrigatório ver e divulgar !!



O autor do documentário :








Yann Arthus-Bertrand
http://www.yannarthusbertrand.org/index_new.php

Associação sem fins lucrativos criada para a promoção do Desenvolvimento Sustentavel :

http://www.goodplanet.org/

sexta-feira, 22 de maio de 2009

Thermopylae. História do Clipper mais veloz do mundo

Finalmente o merecido livro !!!


Foi apresentado no Museu do Mar - Rei D. Carlos em Cascais o livro que descreve de uma forma muito completa toda a história e respectivo enquadramento, daquele que é "o veleiro mais rápido do mundo".

Da autoria conjunta de António Fialho, Augusto Salgado, Carmen Soares, Jean Yves Blot e Jorge Freire é sem duvida um livro de referência sobre toda a espectacular história do veleiro, abordando temas de uma forma aberta e sem ideias pré-concebidas, com rigor e onde se verifica um grande trabalho de investigação e dedicação.

O livro de capa dura, cheio de belas fotos e gravuras do "Thermopylae" tem 151 páginas, escritas em Português e Inglês.

No lançamento do livro a sala principal do Museu encontrava-se cheia de convidados ( alguns mergulhadores !! ) aos quais foi oferecido um exemplar do livro.

Quando no inicio de 2009 escrevi o artigo para a Planeta d'agua sobre a história do veleiro, além do fascínio sentido, troquei algumas informações com alguns dos autores e colaboradores deste livro, que de uma forma aberta e franca se disponibilizaram em contribuir com informações, fontes e ideias.
Sabia desde essa altura que este ano o livro seria publicado e confesso que me deixou na expectativa.
Assim, foi para mim uma honra conhecer pessoalmente algumas dessas pessoas e depois de ter "devorado" o livro ( é impossivel parar depois de se iniciar a sua leitura ) é sem dúvida o resultado de um optimo projecto que demonstra não só o conhecimento daquilo que se escreve, mas também uma enorme dedicação e gosto sobre arqueologia, história e veleiros.

Parabéns aos autores e a todos os envolvidos !!
Já era tempo de ser dado o devido valor e destaque ao "Thermopylae", á historia de Cascais e ao seu património subaquático.

Só falta agora seguir três direcções : a primeira, individualmente ou em grupo servir como exemplo e abraçar mais projectos semelhantes.
A segunda, uma maior e melhor divulgação não só deste local de grande valor, em Portugal e no Mundo, como também de outros existentes.
A terceira, a todos os envolvidos, apoiarem e colaborarem em conjunto tendo como objectivo a descoberta, investigação e preservação desse vasto e rico património.

Vale a pena a leitura do livro e a visita ao Museu do Mar - Rei D. Carlos, em Cascais.

terça-feira, 19 de maio de 2009

Oceano de Plástico…

Foto : ExtremeDive- Cascais

Vivemos rodeados de uma das maiores invenções do Homem dos ultimos séculos.
Tudo é feito ou contém alguma parte de plástico.
A nossa dependência é tão grande que se conseguissemos banir o plástico das nossas vidas seguramente teriamos um recuo bastante significativo no desenvolvimento enquanto sociedade e espécie humana.
O problema é que quando foi inventado e se começou a generalizar o plástico, as questões ambientais não estavam no topo de prioridades e o próprio Planeta Terra tinha ainda alguma capacidade de resposta aos atentados que o Homem iria cometer sistematicamente.
Inventou-se o plástico, esqueceu-se de inventar a solução do que fazer ao plástico após a sua utilização !!
Hoje este problema é tão grave e sério que não há uma solução rápida e definitiva sem custos elevados de varia ordem e sem sacrifício ou alterações do nosso comportamento.

Recebi através de um amigo, um mail ao estilo "corrente", que falava desta triste realidade, das suas consequências e de algumas informações que deixam qualquer pessoa arrepiada e preocupada com o nosso futuro e principalmente com o futuro das gerações seguintes.
Dei comigo a pensar e a verificar como todos nós somos causadores desta triste realidade. Considero-me uma pessoa com preocupações ambientais, procuro evitar ao máximo que as minhas acções produzam desperdícios desnecessários, transmito e divulgo esses ensinamentos ás minhas filhas, contando que com isso venham a ser mais responsáveis e se sintam envolvidas nestas questões.
Felizmente muito também tenho aprendido com elas, porque em comparação com todas as gerações anteriores, têm muito mais conhecimentos e estão melhores preparadas para defenderem o ambiente e preservarem o Planeta.
Também porque nunca foi tão urgente como agora o compromisso de todos, qualquer que seja a sua idade.
Reciclagem, separação de lixo e reutilização são hoje conceitos que qualquer criança desde os primeiros anos na escola aprende, "obrigando", quando isso é necessário, os pais a mudarem os seus comportamentos, começando na sua casa ou no seu espaço.

Uma familia de quatro pessoas, em média produz cerca de 7 a 10 kg de lixo não orgânico semanalmente que, devidamente separado e colocado nos Eco-pontos equivale a cerca de 3 kg de plástico por semana. No final de um ano a mesma familia produziu mais de 150 kg de plástico !
Estes numeros são assustadores a uma escala mundial, sabendo também que cada vez se produz mais lixo, não pelo aumento do consumo, mas pela industrialização e massificação de toda a sociedade !


Estudos apontam para que cerca de 10% de todo o plástico produzido acaba de uma maneira ou de outra nos Oceanos.
Esta quantidade brutal de detritos plásticos criou um "oceano de plástico" situado no Oceano Pacifico entre o Japão e o Havai, aprisionado entre correntes e ventos que o mantêm mais ou menos encurralado num vortex gigante.
Imaginar uma extensão de oceano com 1000 km de comprimento, 10 metros de profundidade com 100 milhões de toneladas de todos os tipos e feitios de detritos plásticos é, uma visão aterradora e preocupante desta realidade e do futuro que estamos a preparar para as gerações futuras
Marinheiros que encontram este "oceano" falam de incredulidade e de tristeza profunda. Organizações Internacionais falam de impotência na resolução do problema, que passa não só pela remoção da quantidade monstruosa de plástico existente, mas pela tomada de medidas sérias na redução da sua utilização.

Para além dos efeitos tóxicos dos componentes do plástico, que em alguns casos excede várias vezes a concentração de fitoplanton em determinadas areas do Oceano, é também responsavel pela morte de mais de um milhão de animais marinhos por ano, entre aves, tubarões, tartarugas, etc.
Quem, durante os varios mergulhos, não se deparou já com a triste situação de encontrar artes de pesca perdidas ou abandonadas que continuam a matar ou mutilar variadas especies de animais marinhos ?



Fotos : ExtremeDive- Cascais

Tenho participado regularmente em Limpezas Subaquáticas, contribuindo assim um pouco para ajudar nesta "missão impossivel" de limpar o fundo dos Oceanos.
Ao longo destes anos, infelizmente, tenho visto serem retirados o tipo de objectos mais estranhos e tenho a certeza que grande parte deles não se trata de acidentes ou descuidos. São propositadamente atirados para o mar !
Quem o faz, não é responsabilizado pelo crime que está a cometer…
No passado Domingo, a convite da ExtremeDive de Cascais, que regularmente promove este tipo de iniciativas, junto com mais 5 companheiros e durante 45 minutos procedemos á limpeza do fundo, junto de dois pontões na marina de Cascais.
A quantidade de lixo retirada não foi muita, felizmente.
Mesmo assim entre pneus, plasticos e vidros ( garrafas e copos) o tipo de lixo retirado é significativo das atitudes dos utilizadores da marina.
Todos aqueles que utilizam o mar como passatempo, profissão ou diversão têm a obrigação de respeitar e de darem o exemplo na sua conservação, não permitindo este tipo de atitudes.

Infelizmente, o que tenho visto é que aquilo que se passa é precisamente o contrário...

domingo, 19 de abril de 2009

Projecto de Lanterna Subaquática



A necessidade de uma boa iluminação quando se mergulha é algo fundamental e que faz toda a diferença para usufruir ao máximo qualquer imersão, quer a nível de prazer quer a nível de segurança.

Devido aos diferentes comprimentos de onda e á sua refracção na água, as cores que compõem a luz branca "desaparecem" á medida que aumenta a profundidade, começando nos vermelhos e laranjas e ficando por fim apenas a cor azul. Em profundidades elevadas por ausência de luz solar, passa a escuridão total.

Mesmo a pouca profundidade, a única forma de ver todo o esplendor de cores existentes é utilizar iluminação artificial, que, dependendo da temperatura de cor da iluminação utilizada, estará mais ou menos aproximada da cor observada á superfície.

A escolha de uma lanterna é algo que ultrapassa o simples logotipo de uma marca. Existem no mercado lanternas de muitos e variados tipos, não sendo muitas vezes linear que "o material caro e de marca conhecida é que é bom! ".

Qualquer mergulhador que queira escolher uma lanterna depara-se sempre com algumas variantes:
- Preço
- Modelo
- Tipo de iluminação
- Autonomia
- Fiabilidade
…para focar só alguns daqueles que considero importantes.

Preço

Existem lanternas dos mais variados preços. Entre 10 e 2000 € há para todas as bolsas. Claro está que as restantes condições estarão, muitas vezes, relacionadas com esta. O preço será sempre uma das condições a levar em linha de conta.

Modelo
De uma forma de avaliação simples, existem dois tipos principais: de Canister e "Compactas".
O modelo de Canister é composto por uma caixa estanque (onde está localizada a fonte de alimentação) e uma cabeça de iluminação, normalmente acopolada a uma pega e cuja ligação eléctrica entre a cabeça e a alimentação é feita através de cabo (umbilical).

As "Compactas", dependente do fabricante e seu modelo, têm num só corpo a alimentação e a lâmpada.


Tipo de iluminação

O tipo de iluminação mais comum são as lâmpadas de halogéneo. Com temperaturas de cor perto dos 3500º K produzem uma luz "amarelada". São lâmpadas robustas e fiáveis de preço acessível.

Há menos tempo no mercado, mas com cada vez maior procura, existem as HID. Produzem uma luz azulada muito clara e intensa de aprox. 4500º K, havendo modelos com temperaturas de cor que chegam aos 6500º K. São menos robustas que as lâmpadas de halogéneo, mas de grande fiabilidade. Além do preço elevado, funcionam com um circuito electrónico acopolado (balastro) que tem como função fornecer a corrente eléctrica necessária ao arranque da lâmpada e limitar essa corrente durante o seu funcionamento, não permitindo picos elevados que ocasionariam a sua avaria.

Por fim, a tecnologia de iluminação LED, que ultimamente sofreu uma aplicação massificada em todos os tipos de iluminação, veio trazer um conjunto enorme de mais valias na aplicação à iluminação subaquática. A temperatura de cor destas lâmpadas situa-se muito perto da luz solar ( cerca de 5250ºK ) com alguns modelos a atingir os 5600º K de temperatura de cor. Em conjunto com lentes de difusão de luz, são o tipo mais robusto e de baixo consumo energético para a iluminação produzida. Usada individualmente ou em conjuntos de LED produzem uma luz intensa, muito brilhante.

No entanto, apesar das maiores vantagens em relação aos outros tipos de iluminação, ainda têm elevados custos associados. Devido á temperatura de cor da sua luz a sua eficácia nota-se melhor de noite ou em locais pouco iluminados.


Autonomia

Depende sempre da potência da lâmpada e do tipo de alimentação utilizada. Também por uma questão ambiental, a utilização de baterias recarregáveis é fundamental.

Respeitando as instruções do fabricante e um bom carregador, temos baterias que duram muitas horas e ciclos de carregamento.

Em autonomia a iluminação LED é a que apresenta, na maior parte dos casos, um maior rendimento. Nalgumas marcas existem modelos HID que em comparação com um modelo equivalente LED, conseguem ter rendimento superior. Com o mesmo tipo de bateria e em lumens gerados equivalentes, os LED permitem autonomias superiores a 10 vezes as lâmpadas de halogéneo.

As HID, devido às suas características, têm também uma autonomia bastante elevada, ficando-se normalmente pelas 4 vezes a autonomia das lâmpadas de halogéneo, sendo que, como já referido, alguns modelos têm autonomias iguais ou mesmo superiores aos LED, chegando nestes casos quase ás 12 vezes, de autonomia superior, em comparação com as lampadas de halogéneo.

As lampadas de halogéneo, produzem maior quantidade de calor devido á sua ineficiência energética (só cerca de 20% da potencia consumida é convertida em luz) o que se traduz por autonomias de até um par de horas.


O início do projecto


Com todas estas considerações e variáveis, encontrar a "lanterna ideal" é uma tarefa difícil.
Para inicio deste projecto, ficou apenas definido o que pretendia.
A lanterna teria de ter um custo muito baixo, ser de "canister" devido a uma melhor funcionalidade, com a capacidade de ter durante o dia uma boa iluminação que permite distinguir pormenores principalmente em fendas, buracos e em imersões mais profundas e que de noite além de servir como meio de comunicação entre mergulhadores submersos, não servir para "fritar" os peixes ou os olhos dos companheiros, ficando-me por uma potência de 30 W, numa lâmpada de halogéneo.

A autonomia teria de ser duas a três vezes superior ao tempo normal de uma imersão, considerando uma duração média de 1 hora. Para a lâmpada escolhida, considerando os 2,5 Ah indicados nas especificações do fabricante, a bateria teria de ter uma capacidade de 5 a 7,5 Ah fornecendo os 12 V necessários.

Havia outras condições subjacentes a estas, tais como a robustez, fiabilidade e simplicidade no funcionamento.
Mais do que construir á primeira a minha "lanterna ideal", resolvi fazer um protótipo para por em prática os meus conhecimentos e aprender com a sua evolução.

Mais uma vez, a ajuda de amigos foi fundamental, ao ponto de não ser possível construir a lanterna sem a sua indispensável colaboração.


Materiais utilizados

Depois de definidas as características técnicas da lanterna pretendida, o segundo passo foi procurar pelos materiais necessários.

Com a fonte de alimentação perfeitamente conhecida, resolvi começar pelo "canister" que lhe daria alojamento.
Por sorte, através de um colega, consegui arranjar uma bateria “sealed lead acid” com as características pretendidas, o que me poupou algum trabalho, sabendo que para a utilização prevista não é o tipo ideal de bateria.

Com a variedade e tipos de baterias existentes actualmente no mercado, a escolha recaíria certamente nas baterias de "NiMH" devido ao espaço reduzido que ocupam e à grande capacidade de carga.

Assim, seguindo também um dos objectivos deste projecto, o preço dos materiais, optei pela bateria “Sealed Lead Acid” de 12V, 7Ah, dispensada pelo colega.

Trata-se de uma bateria que obriga a utilizar para seu alojamento um canister em PVC com 120 mm de diâmetro exterior, com parede de 10 mm que permite uma resistência á pressão de cerca de 10 bar, ou seja, 90 metros de profundidade. Mais do que suficiente, sem margem para dúvidas.

Com a aquisição do tubo em PVC e de uma placa de igual material para fazer a tampa inferior, o passo seguinte foi a execução da tampa, no torno mecânico para o diâmetro necessário, procedendo-se á sua colagem, através de soldadura química, na extremidade inferior do tubo.

Nessa tampa inferior, foram também abertas duas roscas M6 para montagem de dois pernos em inox, com 240 mm, que permitem a fixação da bateria dentro do canister.


Para a tampa superior, foi utilizado POM ( conhecido comercialmente pela marca DELRIN ), um tipo de PVC mais resistente e duro que permite um trabalho de máquina mais rigoroso, necessário para a abertura das duas camas para os o-rings mais os furos para a fixação do bucin e do interruptor.

Estava assim concluída a primeira fase da construção. O canister da lanterna ficaria pronto com a instalação dos quatro fechos em material inox.

Para a cabeça de iluminação, com lâmpada de halogéneo de 30 W, a solução passou por utilizar as já existentes no mercado, da marca Greenforce.

A opção deveu-se á qualidade do material usado pela Greenforce e pela funcionalidade que estas lanternas permitem. Com o mesmo sistema de canister pode ser alterada a iluminação utilizada para HID e LED, bastando para isso substituir apenas a cabeça de iluminação ( esta funcionalidade não é exclusiva da marca, é utilizada também por outras marcas no mercado ).

Tão ou mais importante que a lâmpada é o reflector utilizado, que no caso da cabeça de iluminação escolhida permite um ângulo de 24º.

Com todo o desenvolvimento feito pela Greenforce ao longo dos anos a opção de utilizar uma cabeça já construída pareceu-me ser a melhor opção. Permitiu-me poupar algum tempo na sua execução, garantindo também a utilização de um sistema já muito experimentado e com provas de boa qualidade.


Faltava agora ligar todo o conjunto através do cabo eléctrico e do sistema de ligação á cabeça de iluminação.
O cabo eléctrico escolhido além de específico para estar submerso em água salgada, tem de ser extra-flexível. De resto, electricamente é dimensionado para suportar a corrente e tensão de trabalho.

A classe dos bucin tem de ser IP68, que permite a submersão. O interruptor tem de ser perfeitamente estanque, do tipo "alavanca".

Para este tipo de montagem o interruptor é dispensável. O acender e apagar da iluminação pode ser feito pelo enroscar/desenroscar da cabeça, feito na peça de ligação que tem acoplada.


Escolhi, por uma questão de resistência mecânica do material e principalmente do desgaste provocado nos o-rings, não optar por esse sistema.
A peça de ligação permite o acoplamento da cabeça de iluminação, preparada com três o-rings, através do cabo eléctrico á bateria de alimentação.


Essa peça de ligação foi maquinada no torno mecanico especificamente para que esse acoplamento seja perfeito, em material igual ao da cabeça de iluminação.

Por dentro, foi colocada também uma peça específica feita em teflon, que efectua a ligação eléctrica entre o cabo e a cabeça de iluminação.


Cada um dos pólos da bateria tem dois cabos eléctricos ligados ao mesmo terminal. Um par de cabos de polaridades diferentes faz a ligação ao cabo da cabeça de iluminação, enquanto o outro par está ligado á ficha acoplada à tampa de fixação da bateria, através da qual é feito o carregamento da mesma.

Por fim, depois de todo este conjunto montado, foi fixo através de abraçadeiras inox, uma tira de fita de nylon dobrada nas extremidades que permitem a montagem de elos rápidos (quick link/maillon rapid) em inox, ou a montagem no cinto do arnês .

No primeiro tipo de montagem, os elos de inox são fixos á backplate do arnês de forma indirecta, ou seja, através de uma cordelete que permite em caso de necessidade cortar e desmontar rapidamente o canister.


Na montagem através do cinto do arnês, a presilha criada no intervalo entre as duas abraçadeiras de inox serve para colocar o canister no cinto, bem encostado á lateral e travado com uma fivela normal de um cinto de mergulho. Esta solução simplifica e permite uma fixação sólida e estável, sem utilização de mais nenhum tipo de acessórios.


Para finalizar, foi montado a protecção do interruptor através de uma peça maquinada em PVC que permite também a montagem de uma peça de borracha ( sealing boot ) que além de proteger o veio do interruptor, garante a sua estanquecidade. A fixação desse protector de PVC é feita por quatro parafusos em inox que apertam em roscas feitas na tampa do canister.

Foi montada a pega “Goodman” feita de alumínio e um mosquetão para permitir a fixação ao d-ring do arnês.

Finalmente a lanterna estava pronta para ser testada na água !


Lista de materiais utilizados e suas especificações

No quadro está a lista de todos os materiais utilizados neste projecto.
No campo de “Observações”, está indicado o nome onde foi adquirido o material, nas “Dimensões” e no caso de não ser material normalizado, deixo o respectivo código de referência.


Funcionamento

Nada mais simples !
O canister tem de ser aberto sempre que se carrega a bateria, ligando o carregador na ficha instalada para esse efeito.
Após a carga, verificar sempre o estado dos o-rings, lubrificar e/ou substituir se necessário.
Colocar a tampa e fechar os fechos. Como segurança, uma tira de simples câmara-de-ar é colocada por cima dos fechos, garantindo que devido a qualquer pancada ou movimento nenhum dos fechos abra acidentalmente.

O protector do interruptor está marcado, através de um entalhe qual a posição que liga a iluminação. O lado contrário, obviamente, desliga.

O canister é fixo á backplate através dos elos rápidos, ou colocado no cinto, como descrito anteriormente. Verificar antes de mergulhar se estão bem fechados e se o canister está bem fixo, sem oscilar em demasia.

Quando a iluminação não é necessária, o mosquetão serve para prender a cabeça de iluminação a um dos d-rings do arnês.
Sempre que se pretende utilizar a iluminação, a pega “Goodman” é colocada nas costas da mão, permitindo iluminar o objectivo ou caminho, ficando a palma da mão e os dedos disponíveis para outra função (por exemplo: desenrolar um carreto guia).

No final do mergulho, lavar todo o conjunto em agua doce, deixando-o imerso algum tempo de forma a libertar os possíveis cristais de sal. Abrir a tampa do canister de forma a libertar algum gás que a reacção química da bateria produz e permitir, também, o arrefecimento da bateria.

Verificar antes de cada imersão todo o conjunto e ocasionalmente o estado dos o-rings da tampa do canister, da cabeça de iluminação e do sealing boot do interruptor. Se apresentarem sinais de desgaste, substituir.


Testes efectuados

Os primeiros testes foram feitos colocando o conjunto dentro de um balde com água, servindo apenas para garantir e verificar a estanquicidade de todo o conjunto.

Depois foi verificar quanto tempo a bateria demora a carregar na totalidade e por fim qual a autonomia real. Os tempos reais verificados estão indicados no quadro.

Os testes finais foram feitos no mar. Aproveitei alguns mergulhos para equilibrar todo o conjunto.
A ideia é que o canister seja, fundamentalmente, o mais neutro possível quando imerso. O resultado final está indicado também no quadro.

Por fim o último teste. Mergulho a 29 metros, com 38 minutos de fundo, permitiu verificar a estanquecidade sobre maior pressão e as reais potencialidades da iluminação.

Durante a realização destes testes foram feitos alguns ajustes ao nível da fixação do canister ao arnês, utilizando os dois sistemas descritos, procurando a flutuabilidade ideal, o melhor conforto possível e assim optar pelo que considerei mais adequado.

O sistema que optei é colocar o canister no cinto do arnês , porque permite uma fixação sólida e simples, sem utilizar mais nenhum acessório á excepção do fecho de cinto. Permite também, caso seja necessário, a retirada do canister sem grande dificuldade.

A fixação ao backplate de forma indirecta e como descrita acima provoca alguma oscilação que incomoda o mergulho, o equilibrio e estabilidade. As dimensões do canister, para este tipo de fixação não ajudam .


Upgrades e melhoramentos. Versão 1.0

Ainda este modelo não estava concluído e pensava já nos upgrades que podia fazer.
O primeiro é a alteração do canister. O objectivo é conseguir a mesma carga da bateria reduzindo pelo menos o diâmetro para metade.

A substituição da bateria por um conjunto de baterias de "NiMH" permitirá essa redução no tamanho.

Para o conjunto ficar perfeito, bastará também a troca do material da tampa superior por acrílico usando um sistema de o-ring estático único e um sistema diferente de entalhe da tampa.

Na cabeça de iluminação, bastará adquirir o modelo HID e/ou LED e proceder á sua troca, desmontando o modelo de halogéneo e montando outro modelo sempre ou quando as condições o aconselham.

Por forma a equilibrar o conjunto da cabeça de iluminação, o mesmo tem de ser envolto em neoprene, visto ter uma flutuabilidade demasiado negativa e oferecer algum esforço na mão para o elevar. No final de uma imersão longa é possivel algum cansaço devido a esse esforço.

A utilização de fechos com sistema de travamento, disponíveis por exemplo através de fornecedores como a Salvo, resolve, sem mais, o problema de uma abertura acidental e eliminam a utilização da tira de câmara-de-ar.


Agradecimentos

Como é óbvio, um projecto destes não é possível realizar sem o contributo de amigos e colegas.
As ajudas, neste caso foram imprescindíveis e nunca seria possível chegar ao fim com sucesso sem essa contribuição.
A todos os que ajudaram, o meu mais profundo agradecimento.
Ao João Toco, amigo e buddy de mergulho, um agradecimento especial. Colocou os seus conhecimentos e experiencia profissional na produção de todas as peças maquinadas. A sua intervenção no torno mecânico, além de ter sido feita com uma perfeição e qualidade excepcional, fez com que dedicasse muito do seu tempo a este projecto. Foi a sua dedicação que tornou possivel a conclusão com sucesso deste projecto.

Ao Miguel Lopes, que durante uma troca de emails onde se combinava mais um mergulho, decidiu dar uma ajuda, rever um texto escrito muitas vezes sem muito tempo, com as inevitáveis correcções e erros crassos. Algumas das ideias apresentadas nessa revisão melhoraram muito o resultado final assim como a aplicabilidade de muitas delas.

Ao pessoal que participou no primeiro mergulho de teste na Extremedive de Cascais ( Francisco Macedo, José Ladeira, Pedro Cunha, José Carvalho, Isabel e Paulo Carmo ) obrigado pelas várias sugestões para “baptizar” a lanterna.

As opções foram tantas que optei pela “LPC Ligths” *

A todos , Muito Obrigado !!!

Vou usufruir da "minha" lanterna. Um dia, talvez encontre a "lanterna ideal".
Agora... vou mergulhar…!!!






sábado, 11 de abril de 2009

Condições boas de mar e metereológicas...precisam-se !!


Novo mergulho em Sesimbra com a Best Dive.
A ideia era efectuar o mergulho no naufrágio do "River Gurara".
Infelizmente , o mar alterado pela força do vento forte e gelado deitaram por terra as nossas expectativas.
Qualquer spot que estivesse desprotegido ou sob influencia do vento Norte era para esquecer...
Acabámos por efectuar um mergulho de recurso na "Baleeira".
No fundo, a visibilidade não ultrapassava os 3 ou 4 metros com alguma fola e 13º C de temperatura, agravado depois na superficie pelo vento gelado a cortar a pele da cara e das mãos.
Tendo como companheiros de mergulho o José Ladeira e o Pedro Cunha, os três, auto-chamados de "clube poseidon" ( são os reguladores usados pelos três ! ) fizemos o mergulho com 68 minutos de fundo.


A vida encontrada não surpreendeu nem pela quantidade nem pela diversidade.
Á excepção de um "polvo-ladrão" que atacou literalmente a camara fotografica do "Almirante" Ladeira, pouco mais houve para registar.
No meu caso serviu para continuar as experiencias com o "brinquedo".
Desta vez, já com o adaptador de lentes e com uma lente wide angle de 20 mm e sem o flash externo.
Fica o "best of" de mais um mergulho á espera de melhores dias... Já é tempo de aparecerem !








quinta-feira, 2 de abril de 2009

Ajudar divulgando !! As tartarugas e o Planeta agradeçem.

Fica aqui o link para ajudar na divulgação de um projecto muito interessante, tanto nos objectivos como na forma como pretende ser implementado.



Tartarugas em S.Tomé e Principe - Património Natural da Humanidade


Da minha parte, estou com ideias de ir vasculhar no fundo da arrecadação e ver se encontro algum equipamento antigo ou que já não preciso e contribuir enviando também para S.Tomé e Principe.

Vou acompanhar o desenrolar deste projecto com muito interesse.
Sinceramente, gostaria que os resultados fossem muito positivos.
Além da preservação ambiental e do salvamento da extinção das tartarugas locais será também interesante verificar que ainda, em alguns locais reconditos deste Planeta, a "Palavra de Honra" dada por quem mais nada têm é tão forte ou mais que todo o dinheiro do mundo.

Votos de sucesso !

P.S. - Infelizmente não tenho nenhuma foto para ilustrar...ainda me falta esse "cromo" na caderneta. Pela velocidade a que o Homem tem levado estes lindos animais á extinção, vamos ver se não fico com a caderneta para sempre em branco...