sábado, 31 de Outubro de 2009
quinta-feira, 22 de Outubro de 2009
Só dá "Broeiro" !!! É aproveitar !!!
Filmes dos ultimos 3 mergulhos realizados no Cabo da Roca, mais precisamente na "Baixa do Broeiro", com os canhões em destaque e no novo spot "baptizado" de "Quilhas do Broeiro".
"Baixa do Broeiro"
"Quilhas do Broeiro"
Localizado a Sudeste da "Baixa" é um local a explorar.
É um conjunto de pedras baixas, dispostas perpendicular á linha de terra, formando vários "caminhos" de fundo em areia e pedra solta.
Tem muita reentrancia que abriga muita variedade de vida.
Com uma profundidade entre os 22 e os 25 metros é um dos locais possiveis para encontrar alguma pista ou vestigio que ajude na identificação dos canhões situados na "Baixa do Broeiro", já que se encontra no seguimento da Baixa, no sentido da corrente.
O mergulho foi bom, com boas condições quer de mar quer de visibilidade mas não foi encontrado qualquer vestigio.
Os filmes foram realizados, editados e publicados pelo Pedro Ribeiro da Cunha.
"Baixa do Broeiro"
"Quilhas do Broeiro"
Localizado a Sudeste da "Baixa" é um local a explorar.
É um conjunto de pedras baixas, dispostas perpendicular á linha de terra, formando vários "caminhos" de fundo em areia e pedra solta.
Tem muita reentrancia que abriga muita variedade de vida.
Com uma profundidade entre os 22 e os 25 metros é um dos locais possiveis para encontrar alguma pista ou vestigio que ajude na identificação dos canhões situados na "Baixa do Broeiro", já que se encontra no seguimento da Baixa, no sentido da corrente.
O mergulho foi bom, com boas condições quer de mar quer de visibilidade mas não foi encontrado qualquer vestigio.
Os filmes foram realizados, editados e publicados pelo Pedro Ribeiro da Cunha.
sábado, 17 de Outubro de 2009
Filme "The End of the Line"

Site oficial do filme "The End of the Line"
Mais um excelente documentário sobre um assunto que diz respeito a todos nós.
O filme "The End of the Line" será exibido no dia 16 de Novembro ás 18 horas na Fundação Calouste Gulbenkian, em Lisboa.
Após o filme haverá debate com o realizador Charles Clover e Cesar Deben da DG Mare ( Comissão Europeia )



Já este ano, em Setembro, houve uma iniciativa pela primeira vez em Portugal, com uma semana inteiramente dedicada aos Tubarões e ao seu cada vez maior risco de extinção devido á acção humana.
A exibição do filme "Sharkwaters", por todo o País foi um dos momentos mais importantes dessa iniciativa.



Site oficial do filme "Sharkwaters"
O assunto da pesca excessiva é cada vez mais debatido e analisado por organizações Internacionais como a Greenpeace
Greenpeace Portugal
Agora, com o filme "The End of the Line" é importante a sua divulgação e uma grande adesão.
É importante a consciencialização de que este é um assunto que diz respeito a todos !!
Não temos o direito de deixar um deserto aos nossos filhos !!
quarta-feira, 14 de Outubro de 2009
"Naufrágicos Anónimos" - Parte 2
Já são muitos, espalhados por esse mundo, os mergulhadores que se dedicam a pesquisar Naufrágios e a registar os resultados das suas pesquisas.
De forma algumas vezes amadora e maior parte das vezes financiada pelo próprio, tenta-se ser o mais rigoroso e fiel aos factos históricos. Os registos fruto desse trabalho são divulgados em blogs, sites, livros ou artigos de revistas e demonstram não só muitas horas de trabalho mas tambem o gosto que se tem em todas as fases que um projecto como esse envolve.
A publicação e escrita do trabalho final é sempre a ponta de um enorme iceberg…
Por todo o mundo existem muitas fontes de consulta desde bibliotecas, colecções particulares até sites com imensa informação.
Era impossivel aqui referir todos, mesmo porque, por mais impressionante que pareça, todos os dias surgem sempre mais, principalmente sites e blogs o que evidencia também o interesse que este assunto desperta.
O que leva um mergulhador a gostar de naufrágios não têm uma resposta unica e haverá sempre mais uma.
Há a parte histórica que todos os barcos encerram, o drama que qualquer afundamento envolve, as vezes sem conta que fomos e somos encantados por histórias de piratas e tesouros e o desejo recondito de "um dia serei eu…" apesar da consciencia, que implícita a um possivel descobrimento, protegido por leis e burocracia cada vez mais necessária, a riqueza material será pouca e a responsabilidade certamente inversa. Não importa ! Ficará para sempre gravado na história o seu nome, ligando-o, a algo maior e que no limite poderá estar ligado á História Universal.
Talvez a razão mais simples seja também uma questão dos nossos tempos. A actividade humana excessiva a todos os niveis reflete-se de forma inrecuperavel nos Oceanos. Locais que á cerca de uma dezena de anos fervilhavam de especies e de vida, hoje dificilmente se avistam grandes exemplares e a variedade de especies não será mais que uma dezena das mais adapatveis ou resistentes á nossa predação descontrolada, uso excessivo de recursos limitados e falta de respeito ambiental.
Para um mergulhador nada é mais desolador do que constatar que muitos dos spots de mergulho são actualmente desertos.
Contrariando esta tendencia, todos os naufrágios servem como recifes artificiais para a fixação e desenvolvimento de muitas e variadas especies, que aqui encontram alimento, abrigo e protecção inclusivé do homem. Não há pescador que não tenha perdido as redes por esses naufrágios espalhados. Aliás, ainda hoje uma forma de possivel detecção de um naufrágio é através dos registos e relatos de pescadores que perderam as suas redes em locais identificados nas sondas como de peixe abundante e que afinal escondem também algo onde as redes ficam presas.
Maior parte dos naufrágios são hoje oásis de vida e locais onde é tão abundante e variada que faz do local onde está o naufrágio um dos melhores sitios para se encontrar vida.
Estranho paradoxo para um local muitas vezes associado a grandes e trágicos acidentes.
Em muitos locais do mundo são afundados deliberadamente, por empresas especialmente dedicadas a esse negócio e depois de devidamente preparados para que tenha o minimo de impacto e influencia no meio marinho onde ficará inserido. Como é obvio, não há soluções 100% fiaveis,mesmo com todo o trabalho de limpeza e remoção de substancias poluentes.
Desde aviões 737, carruagens de comboios, até grandes navios de guerra descomissionados ou obsoletos, sendo um porta-aviões o expoente máximo, ao longo dos anos têm sido varios os exemplos por esse mundo fora.

http://www.digitalwavelabs.com/oriskany/
http://www.cdnn.info/industry/i040124/i040124.html
Há variados estudos interessantes sobre a evolução da fixação de vida nestes locais, assim como estudos relacionados com a procura pelos mergulhadores destes locais e o numero de anos que demora o investimento a ter retorno e gerar lucro para as empresas que resolveram também investir neste tipo de negócio.
Infelizmente ainda nem todos os governos reconhecem esta forma de atrair turismo e capacidade de gerar mais negócio, mas acredito que faltará muito pouco para essa situação se inverter.
Em Portugal existem dois casos de sucesso garantido. O navio IPIMAR em Faro, Algarve e o "Madeirense" em PortoSanto, Madeira, que considero ainda hoje o melhor mergulho efectuado em aguas Portuguesas.
http://www.artificialreef.bc.ca/
As próprias agencias internacionais de formação em mergulho reconhecem, apoiam e incentivam a criação de variados projectos ligados á protecção dos naufrágios criando e divulgando programas especificos a quem pretender "adoptar" um naufrágio, quer a nivel individual como em grupo ou associação.
Em Portugal, com a reorganização dos organismos oficiais ligados á Arqueologia Nautica e Subaquatica, espera-se que um dia seja dado o devido valor e apoio a quem pretende investigar o rico e vasto património subaquático, protegendo-o assim realmente. Muita água há para navegar nesse caminho…
Projectos de afundamentos de navios continuam encravados nas burocracias e organismos. Fala-se á anos da execução desses projectos…
Ou seja, interesse a todos os niveis existe, desde mergulhadores amadores com real interesse no assunto a empresas de mergulho dispostas a investir.
No caso da Arqueologia, com a Subnauta a reactivar a formação em cursos NAS, alguns desses mergulhadores estarão certamente interessados em iniciar ou avançar na sua formação, contribuindo para dinamizar esta area, com a possibilidade de participar em projectos que poderiam ser criados, á semelhança do que acontece em outros Paises.
Apenas falta um real interesse e motivação de quem pode criar as condições necessárias, quer á dinamização, quer desbloqueando ou acelerando todo o processo.

Até lá, de uma forma dispersa e individual vão surgindo iniciativas que serão sempre mal aproveitadas, perdendo-se a oportunidade e desmotivando todos…algumas vezes de forma definitiva.
http://uneepaveraconte.net/english/index.htm
segunda-feira, 5 de Outubro de 2009
Cabo da Roca - "Broeiro"
Do alto dos seus mais de 150 metros de altura, o farol lá estava… Testemunha e espectador priveligiado do mar que corre aos seus pés.
Imponente presença, muitas vezes ameaçadora para homens e barcos que em dias de tempestade ousam passar perto dos seus contrafortes.
Chegámos cedo.
A viagem de Cascais ao "Broeiro" demora meia hora, passada a contemplar o mar imenso que nos rodeia, aquecidos dentro dos fatos pelo sol que brilha já intenso naquelas horas da manhã.
O mar está invulgarmente calmo. Mais que calmo. Sem vento, sem ondas, alternando a sua cor entre o verde amarelado junto a terra ao azul limpido quando nos afastamos da influencia costeira.
Bons prenuncios, para os dois mergulhos planeados dessa manhã.
Recordo-me de um dos melhores mergulhos que já fiz em Portugal : estavamos em Novembro de 2006 e no "Broeiro", nesse dia, encontrámos mais de 20 metros de visibilidade, agua a 18º C e as restantes condições ideais para um mergulho inesquecivel.
Nessa data ainda pouco se conhecia no Cabo da Roca e só umas semanas depois é que foram descobertos pelo Francisco Macedo da Extreme Dive, o conjunto de canhões que ficaram a ser conhecidos como os "Canhões da Roca".
Ao chegarmos ao local tivemos de "negociar" o plano de mergulho, porque mesmo por cima da pedra um barco de pesca desportiva já entretinha os seus tripulantes.
Concordámos descer pela pedra e ao chegar no fundo, em vez de seguir pelo desfiladeiro de acesso aos canhões, virar em direcção a terra e explorar alguns dos canyons e pedras variadas que abundam no fundo.
A agua estava limpida e azul, de tal forma que o topo da baixa e algum do relevo mais fundo era perfeitamente visivel de dentro do barco. Começámos ( eramos 4 pessoas a bordo !! ) com as habituais apostas sobre a visibilidade !
Teriamos de mergulhar em trio, o que longe de ser o ideal em termos de segurança, com a experiencia e conhecimento dos buddies João Toco e Pedro Cunha, não seria também razão para qualquer atenção especial. A bordo ficava o Francisco Macedo.
Equipados e na agua descemos os primeiros metros até ao topo da pedra a cerca de 5 metros. Na frente segue o Pedro Cunha, comigo e com o João Toco atrás lado a lado.
A visibilidade é excelente !! Conseguimos ver na horizontal mais de 10 metros e sem qualquer corrente a descida vais ser bastante suave e gradual até ao fundo.
Rodando sempre á nossa esquerda após chegarmos ao topo, "caímos" suavemente pela parede vertical até aos 18 metros, passamos o obstaculo á nossa frente e continuamos a descer no azul até aos 27 metros do fundo.
Como combinado, não entramos no desfiladeiro á nossa esquerda, onde habitualmente reside o cardume de Fanecas e que dará acesso aos canhões.
Viramos á direita e seguimos junto a um fundo coberto de pedra redonda de diversos tamanhos espalhados por cerca de 20 metros. Estamos rodeados por enormes pedras que sobem algumas mais de 15 metros.
Esponjas de várias especies abundam, destacando-se grandes exemplares de esponjas amarelas.
Continuamos em frente e o fundo mantem-se quase sempre igual. Ladeado por enormes pedras e fundo coberto de pedra.
O tempo não pára. Estamos a meio do mergulho, a meio do ar das garrafas. É necessário voltar e começar a pensar em iniciar a subida.
Voltamos pelo mesmo caminho até ao desfiladeiro e ainda temos tempo de visitar o canhão nº 8.
Não há tempo para mais. Inicio a subida deixando mais abaixo os meus dois companheiros. Subo lentamente pela pedra em frente do "Broeiro" que me leva até aos 12 metros de profundidade.
No topo da pedra, um cardume de Sargos e de Peixe-Porco alimentam-se em cardume.
O topo destas pedras estão completamente cobertas de enormes Mexilhões que servem também de alimento a diversos outros animais. Os Polvos abundam de variados tamanhos, camufulados tentam passar despercebidos.
Já no topo da pedra, o Pedro Cunha informa-me para nos dirigirmos á pedra onde cerca de 40 minutos antes iniciámos este fabuloso mergulho.
O patamar é passado abrigado numa reentrancia da rocha acompanhado de Mexilhões e cardumes de Sargos que passam por cima.
Pelas caracteristicas do fundo na zona em redor, qualquer percepção de uma hipotética pista será um verdadeiro desafio.
As madeiras já desapareceram á muito, apodrecidas e desfeitas pela força do mar. Pedras de lastro usadas pelos antigos navios passam completamente despercebidas no meio de outras pedras sem qualquer ligação.
Os desfiladeiros ladeados por enormes elevações de rocha quase verticais, concentram no seu fundo qualquer pista ou vestigio. Resta ter a sorte e saber em que desfiladeiro poderá estar ( ou não ! ) aquilo que procuramos.
Resta continuar a procurar, aproveitando todos os mergulhos que possam ser feitos no local, especialmente aqueles que são feitos nas condições perfeitas que encontrámos desta vez.
É sempre um local muito especial onde tenciono voltar sempre que possivel.
Sempre que ali mergulho vêm-me á lembrança, não só os excelentes mergulhos que já ali fiz, mas também as palavras do grande poeta Camões :
"Aqui…onde a terra se acaba e o mar começa..." in Os Lusíadas , Canto VIII
Quatrocentos anos depois, para quem ali mergulha, são palavras que fazem todo o sentido constatando que Camões estava certo, mesmo não conhecendo as belezas submersas…!!
Anexo:
Relatório Preliminar sobre o achado dos Canhões da Roca, 2007
Cabo Raso - "Pedra da Arriba"
Depois do excelente mergulho na "Pedra do Broeiro", de um intervalo de superficie de duas horas feito numa das muitas enseadas abrigadas junto ás arribas da Roca, onde o tempo foi aproveitado para repor energias, passado entre conversas "só para homens", entre anedotas e histórias mais ou menos "picantes".
A boa disposição e espirito descontraido fez o tempo voar.
Estava na altura de nos dirigirmos ao local escolhido para segunda imersão. Teriamos de nos dirigir para Sul em direcção ao Cabo Raso e á "Pedra da Arriba".
Localizada mais afastada de costa, seria o lugar ideal para novo mergulho já que as correntes e o vento de sudoeste, fraco, ajudam a manter a agua limpa da suspensão habitual.
Novamente em grupo, descemos pelo cabo do barco. A visibilidade está pior que no mergulho da manhã.
Nos primeiros 15 metros a corrente ligeira faz-se sentir, depois tanto a visibilidade como a corrente melhoram significativamente permitindo ver a pedra no fundo.
A formação rochosa parece ser enorme em comprimento. Estende-se mais ou menos perpendicular a terra, comprida e dificil de ver toda a extensão em apenas um mergulho ainda para mais á profundidade de 30 metros num segundo mergulho do dia.
Decidimos seguir para Oeste e ficamos pela zona em redor do cabo de descida.
O tempo máximo não descompressivo é atingido rápidamente e temos de subir. Inicio a subida lenta deixando ainda para trás os meus dois companheiros de mergulho.
Aos 15 metros distingo perfeitamente o inicio da subida do João e do Pedro e as milhares de bolhas exaladas que aumentam de volume sempre a subir até á superficie. Um espectaculo de ver quando as aguas têm aquele tom azul de agua limpida, muito pouco habitual de encontrar nas aguas ao largo de Cascais.
Terminado o segundo mergulho, "perseguimos" novamente o tom azul com que somos brindados em algumas partes daquele imenso Oceano.
Paramos o barco. Apenas com a mascara, mergulhamos a cara e o ferro na proa do barco…paramos de baixar ferro quando deixamos de ver a ancora na ponta. São mais de 25 metros de visibilidade !!
Ainda temos a ideia de fazer uma especie de "mergulho no azul", mas cansados da viagem, dos mergulhos e do trabalho que dava novamente equipar para acabar com o pouco ar das garrafas, acabamos por desistir trazendo apenas a recordação de algumas fotos tiradas a um cardume de Tainhas que entretanto se juntou por debaixo do barco.
São condições excepcionais e muito raras que nos deslumbram por não estarmos habituados a encontrar nestas paragens Continentais.
quarta-feira, 26 de Agosto de 2009
Quando mergulhar ultrapassa o prazer e nos enche de orgulho…

Prólogo - Agosto de 2008.
Aí estava mais um aniversário do Cabana Divers na Fonte da Telha.
Começo cada vez mais a perceber, que os anos passam a correr quando, os intervalos entre aniversários do Centro parecem ser cada vez menores e directamente proporcional ao esforço de arrastar todo o material entre o estacionamento e o Cabana Bar…Quando chegar o 25º aniversário não quero nem pensar como vou proceder a tal tarefa !!
Como também já é tradição, o levantar bem cedo nesse dia, fazer os 50 km incluíndo atravessar a "25 de Abril", que por motivos obvios ( é Agosto, mês de férias e não se paga portagem ) tem de ser feito muito cedo, com o objectivo de conseguir um lugar nos primeiros barcos que irão estar non-stop a levar mergulhadores para dois dos mais emblemáticos spots de mergulho : "Pedra da Lagoa" e "Pedra dos Safios".
Tenho sorte. Consigo chegar de "madrugada" e arranjo lugar no terceiro barco a sair, que terá como destino a "Pedra dos Safios".
Dá tempo para encher garrafas, equipar com calma, trocar umas "bocas" com os amigos ( alguns só os vejo neste dia, todos os anos ) e embarcar.
É sempre um dia especial. O mar está calmo, o sol brilha já com intensidade e o vento sopra com alguma força.
Com os primeiros barcos a chegar sabemos que a visibilidade não está nos melhores dias e que a suspensão dos primeiros metros não deixa a luz chegar fundo na agua.
A viagem é curta, menos de 10 minutos separam a linha de costa do spot. Praticamente é embarcar e equipar, para no momento seguinte estarmos já prontos no cabo para descer.
Os primeiros metros a agua é verde, escura e densa com tantos organismos em suspensão. Depois melhora um pouco.
A chegada ao fundo é anunciada pelo cardume de fanecas que rodeiam a pedra, oferecendo os seus flancos prateados á luz das lanternas.
De seguida, a primeira visão da laje de pedra…e a desilusão.
Uma enorme rede de pesca abandonada cobre uma vasta area sufocando sob o seu peso as Gorgónias, algas e demais flora que ali se fixam.
Para além do peso obrigar a que tudo esteja dobrado, o constante raspar provocado pelas correntes provoca a quebra de algumas grandes Gorgónias.
Pelo aspecto, a rede está á pouco tempo no local, mas já serve como deposito para algum lodo contribuindo para a degradação da flora.
Algumas das tocas dos Safios estão também tapadas.
Verificamos depois que se trata de dois tipos de rede diferentes, em duas areas pouco afastadas.
Naquela profundidade, sem um plano e uma equipa preparada, qualquer tentativa de recuperar a rede de imediato poderia ter graves consequencias para os mergulhadores.
A opinião é unânime : a rede tem de ser retirada urgentemente para reabilitar o local.
Nas primeiras conversas com o Manuel Pedro e com o Paulo Pombo, esboçamos já um primeiro plano de trabalho : as tarefas que têm de ser feitas, a constituição da equipa, o tempo e numero de imersões, as autorizações e apoios necessários.
Alguém do grupo lembra que no mês seguinte haverá o PADI - Clean Up Day enquadrando-se esta actividade na iniciativa.
Há que fazer os primeiros contactos e a inscrição on-line. Os apoios que oferecem não são os adequados para esta actividade especifica. No entanto fica registrada como actividade do Clean Up Day, comprometendo-nos a enviar o relatório no final da actividade.
No plano de actividades queremos fazer mais.
Por uma questão de divulgação solicito á direcção da APDM apoio para que a actividade seja mais uma incluída no Clean Up Day organizada pela Associação, em parceria neste caso com o Cabana Divers.
A actividade é também divulgada na revista Planeta d'Agua e é enviado a vários orgãos de comunicação social, incluíndo televisão uma descrição da actividade e seus objectivos.
A equipa é formada rapidamente por 9 elementos. Quatro duplas de mergulhadores a quem serão dadas tarefas especificas e um videografo para registar toda a actividade.
Em terra o Manuel Pedro dará o seu contributo pondo o Cabana Divers á nossa inteira disposição.
Todo o plano de mergulho, de operações e definição de tarefas ficam a cargo do Paulo Pombo.
Estava assim planeada a acção de retirar do fundo as duas redes. O dia agendado seria 17 de Setembro de 2008, dia Internacional das Limpezas de Praia e Subaquáticas.
Relatório e feedback da iniciativa
Tal como tinha ficado decidido, o relatório da actividade foi enviado nas semanas seguintes para a PADI-Europe acompanhado do filme.
Em paralelo, entrego pessoalmente uma cópia também do filme a um dos canais de televisão Nacional, com a intenção de divulgar a actividade e o contributo que os mergulhadores, de uma forma completamente voluntária, dão na conservação e preservação do ambiente.
Da parte da PADI-Europe recebi bastantes elogios e a promessa de divulgação do filme em Feiras e Encontros Internacionais, para além de um convite para uma reunião agendada para Fevereiro no decorrer da Nauticampo - Exposub 2009, para falarmos mais sobre projectos semelhantes e aos quais a PADI dá apoio.
Do canal de televisão, nem uma imagem, nem um segundo de "tempo de antena"…
Como ninguém foi atacado por nenhum "monstro marinho", não recuperámos nenhum cadaver nem sequer houve sangue ou alguém aleijado, para quê divulgar algo de positivo, construtivo e de extrema importancia para todos ? Não é assunto que vende...
Agosto de 2009 - 10º Aniversário do Cabana Divers
Depois da limpeza realizada em Setembro 2008, nunca mais mergulhei na "Pedra dos Safios". Por nenhuma razão em especial…não coincidia, não havia disponibilidade…apesar de durante o periodo de Setembro 08 a Agosto 09 ter feito algumas saidas na Fonte da Telha, principalmente na "Pedra da Lagoa" e ao "Maria Eduarda".
O ritual é o mesmo : viagem cedo para Sul, chegar cedo para mergulhar cedo, tentar regressar a casa "mais" cedo, pegar a familia e regressar ao Centro "o mais cedo" possivel para a festa de fim de dia…Simples !!
Após a chegada e inscrição "calha-me a sorte" de ficar primeiro no barco nº 5 e depois de falado com um companheiro de mergulho, fazemos a troca e junto-me a alguns amigos no barco nº 4, incluíndo uma das duplas que tinha participado na limpeza do ano anterior ( João Andrade e Vitor Faustino ).
O spot será o regresso aguardado á "Pedra dos Safios" !
Confesso que estava curioso por ver como o local estaria um ano depois de ter sido retirada a rede.
A pressão da rede era intensa sobre as frageis Gorgónias e o constante oscilar para a frente e para trás provocava um terrivel efeito de serra cortando e partindo alguns dos seus ramos.
Durante a operação de retirada da rede a visibilidade tinha ficado tão má que pouco nos apercebemos do resultado, inclusivé algumas das Gorgónias não resistiram, por mais cuidados que apliquemos nos puxões e cortes que fizemos.
O mar está completamente "chão" mas somos acompanhados por uma chuva miuda e persistente…
A agua está fria para uma manhã de Agosto.
Os 34 metros que nos separam do fundo são divididos em três camadas distintas. A primeira com cerca de 15 metros é verde e leitosa devido á quantidade de organismos em suspensão, os 10 metros seguintes melhora significativamente mas torna-se escuro devido á profundidade e á luz ficar retida nos primeiros metros.
No fundo, com uma corrente muito ligeira a visibilidade é de 7 metros. As lanternas são fundamentais neste mergulho e assim que vimos o fundo começam os primeiros reflexos das Fanecas do enorme cardume residente que nos cercam completamente.
Á nossa frente encontra-se a laje de pedra., menos assoreada que da ultima vez e cheia de vida !!
As Gorgónias recuperaram completamente e cresceram, cobrindo a pedra por completo nas suas várias cores : brancas, vermelhas, amarelas, azuis !!
Esponjas e outras algas cobrem os poucos espaços livres deixados pelas gorgónias !!
As Fanecas continuam a circular no local, acompanhadas por enormes Sargos e Anthias.
Os enormes Safios entocados espreitam ao aproximar as lanternas, como que enfeitiçados pela luz.
A explosão de vida é espectacular !!
A transformação do local é visivel e deve-se á retirada das redes. Disso não há a menor duvida !
Foi extremamente gratificante verificar como acções tão simples, com algum risco envolvido, mas sem qualquer esforço ou obrigação, porque todos o fizemos com gosto e prazer principalmente, tem um impacto tão profundo no meio ambiente como o que é possivel ser verificado na "Pedra dos Safios".
A partir de hoje, para além do prazer que sinto em todos os mergulhos que faço, junto também um enorme orgulho e gratidão.
Orgulho por ter participado nesta iniciativa e gratidão a todos os que de alguma forma ajudaram a realizar a limpeza do local e a transformá-lo naquilo em que se tornou um ano depois.
( prometo que logo me seja possivel coloco aqui fotos de como o local está actualmente )
terça-feira, 14 de Julho de 2009
Fonte da Telha...ás portas de Lisboa !!
É sempre um prazer mergulhar na Fonte da Telha...
Este fim de semana, para "calibrar" a vista á realidade Continental Portuguesa, foi convidar um grupo de amigos e lá fomos fazer um mergulho no ex-libris do Cabana Divers, "Pedra da Lagoa"
Mergulhar apenas pelo prazer, sem maquina, sem objectivo a não ser estar com amigos.
Ao grupo de três ( eu, Paulo Carmo e Pedro de Carvalho ) juntou-se mais um mergulhador "turista" do país de nuestros hermanos.
Os pequenos filmes que aqui podem ver são da autoria do Pedro de Carvalho.
O primeiro, parece a ementa com elementos "ao vivo" da marisqueira da esquina...
São as filmagens do mergulho que fizemos.
O segundo, são alguns minutos de pura acção...que nos fazem ficar com uma inveja "do caraças" de não sermos capazes de estar assim dentro de agua.
Desta vez a descrição do mergulho fica pela velha máxima de que "Uma imagem vale mais que mil palavras"
Isto tudo a 30 minutos de Lisboa...
Este fim de semana, para "calibrar" a vista á realidade Continental Portuguesa, foi convidar um grupo de amigos e lá fomos fazer um mergulho no ex-libris do Cabana Divers, "Pedra da Lagoa"
Mergulhar apenas pelo prazer, sem maquina, sem objectivo a não ser estar com amigos.
Ao grupo de três ( eu, Paulo Carmo e Pedro de Carvalho ) juntou-se mais um mergulhador "turista" do país de nuestros hermanos.
Os pequenos filmes que aqui podem ver são da autoria do Pedro de Carvalho.
O primeiro, parece a ementa com elementos "ao vivo" da marisqueira da esquina...
São as filmagens do mergulho que fizemos.
O segundo, são alguns minutos de pura acção...que nos fazem ficar com uma inveja "do caraças" de não sermos capazes de estar assim dentro de agua.
Desta vez a descrição do mergulho fica pela velha máxima de que "Uma imagem vale mais que mil palavras"
Isto tudo a 30 minutos de Lisboa...
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